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	<title>Caio Fábio</title>
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	<title>Caio Fábio</title>
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	<item>
		<title>JORNAL DO BRASIL &#8211; 1995 &#8211; Caio Fábio entre os integrantes do Viva Rio.</title>
		<link>https://caiofabio.com.br/jornal-do-brasil-1995-caio-fabio-entre-os-integrantes-do-viva-rio/</link>
		
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2020 19:04:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Histórias]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[ <p><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://1.bp.blogspot.com/-hWVLDdGRa9k/XzMWiy4HzPI/AAAAAAABNGI/px4jI7RA4pwcJqn0MYXYZPUH_tvweagPQCLcBGAsYHQ/w641-h800/jb%2B1995.jpg" alt="" width="640" height="800" /></p>  ]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>1º Informativo Mensal da AEVB &#8211; Associação Evangélica Brasileira &#8211; Inicio da década de 90.</title>
		<link>https://caiofabio.com.br/1o-informativo-mensal-da-aevb-associacao-evangelica-brasileira-inicio-da-decada-de-90/</link>
		
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2020 18:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Histórias]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; &#160; Converg&#234;ncia.Associa&#231;&#227;o Evang&#233;lica Brasileira. &#160; Ano 1 &#8211; N&#186; 1 Quando a miss&#227;o &#233; esc&#226;ndalo. &#160; O &#8220;fazer&#8221; mission&#225;rio [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" src="https://1.bp.blogspot.com/-c-sff1fVWsI/XzMUMi1YOaI/AAAAAAABNF0/5Rklbb9elmcQq9C_vxC2ngxNwe0BS8oOQCLcBGAsYHQ/w404-h513/converg%2Bthumb.jpg" alt="" width="404" height="512" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Converg&ecirc;ncia.</strong></span><br /><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Associa&ccedil;&atilde;o Evang&eacute;lica Brasileira.</strong></span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Ano 1 &#8211; N&ordm; 1</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 16pt;"><strong><span style="color: #000000;">Quando a miss&atilde;o &eacute; esc&acirc;ndalo.</span></strong></span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">O &ldquo;fazer&rdquo; mission&aacute;rio da igreja sem unidade &eacute; escandaloso. Primeiro porque no Reino de Deus n&atilde;o existe espa&ccedil;o para o fazer individualista. No Reino o fazer &eacute; sempre comunal, e tem a ver com o Corpo de Cristo e com a comunidade do povo de Deus. Essa &eacute; a ideia b&aacute;sica de Jo&atilde;o 17. Jo&atilde;o associa sempre o fazer da miss&atilde;o com a necessidade da viv&ecirc;ncia comunal e da unidade vis&iacute;vel do povo de Deus. De acordo com Jo&atilde;o 17, tentar fazer miss&atilde;o sem unidade &eacute; absolutamente impens&aacute;vel.</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">A unidade a qual Jesus se refere em Jo&atilde;o 17 n&atilde;o &eacute; estrutural mas tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; apenas metaf&iacute;sica. Nosso problema &eacute; que estamos sempre vivendo entre &ldquo;OUs&rdquo;, <strong>ou</strong> isto <strong>ou</strong> aquilo. Neste caso, ou se &eacute; pr&oacute; unidade estrutural, a&iacute; ent&atilde;o se vaticaniza tudo e se constr&oacute;i a &ldquo;Bas&iacute;lica de S&atilde;o Pedro&rdquo;, indo-se para o extremismo estrutural e rigidamente hierarquizado, transformando-se a Igreja num Estado; ou ent&atilde;o vai-se para o extremo, como n&oacute;s evang&eacute;licos, em geral, temos ido: comunidades que proclamam uma unidade metaf&iacute;sica, nas regi&otilde;es celestiais, acerca de cuja unidade se diz &ldquo;ningu&eacute;m v&ecirc;, mas Deus v&ecirc;&rdquo;.</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">A mim parece que o que Jesus est&aacute; dizendo em Jo&atilde;o 17 n&atilde;o &eacute; nem uma coisa nem outra. Nem &eacute; estruturalismo estatal &#8211; vaticanismo &#8211; e nem &eacute; apenas unidade metaf&iacute;sica, invis&iacute;vel, abstrata, esot&eacute;rica em algum lugar do universo que s&oacute; Deus enxerga. Jesus est&aacute; falando de uma unidade organicamente vis&iacute;vel na hist&oacute;ria, atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es de fraternidade pr&aacute;tica, viv&ecirc;ncia de prop&oacute;sito e amor objetivos e ideais do Reino inequivocamente assumidos como priorit&aacute;rios, e portanto, dignos de nossa converg&ecirc;ncia.</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Vejam que a historicidade de tal unidade &eacute; t&atilde;o percept&iacute;vel historicamente que se diz em Jo&atilde;o 17:18-21 que o mundo poderia ver esta unidade a fim de crer. O interessante &eacute; que o Novo Testamento diz que o mundo n&atilde;o v&ecirc; quase nada, &ldquo;o homem carnal n&atilde;o entende as coisas de Deus&rdquo;, porque &ldquo;o pr&iacute;ncipe deste mundo cegou o entendimento dos incr&eacute;dulos&rdquo;. Mas Jesus disse que com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; unidade da igreja o mundo &ldquo;<strong>veria</strong>&rdquo; isso porque seria uma unidade mais do que metaf&iacute;sica, mais do que espiritual: seria uma unidade analis&aacute;vel, mensur&aacute;vel, sociologicamente compreens&iacute;vel, socialmente percept&iacute;vel. O mundo perdido, cego pelo diabo, e incapaz de perceber a profundidade espiritual do Reino, todavia deve ser capaz de perceber a unidade do povo de Jesus.</span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Fazer sem unidade &eacute; esc&acirc;ndalo pelas seguintes raz&otilde;es:</span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">1) <strong>Nega o valor da f&eacute;.</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Os versos 20 e 21 dizem: &ldquo;Eu rogo, n&atilde;o somente por estes, mas pelos que vierem a crer em mim a fim de que sejam um&rdquo;. Para Jesus, essa f&eacute; que Ele estava introduzindo no cora&ccedil;&atilde;o dos disc&iacute;pulos teria que ter como resultado a produ&ccedil;&atilde;o da unidade.</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Hoje se diz que o comunismo n&atilde;o tem valor nenhum porque as sociedades que ele produziu foram in&oacute;cuas, malignas, tiranas e tudo mais. Julga-se o comunismo te&oacute;rico pela pr&aacute;tica das sociedades comunistas. Todavia, o mesmo ju&iacute;zo hist&oacute;rico pode ser aplicado &agrave; Igreja. O mundo pode dizer, caso queira, que a f&eacute; em Jesus n&atilde;o &eacute; relevante porque a Igreja que essa f&eacute; produziu &eacute; uma igreja desunida, fragmentada e irreconcili&aacute;vel. A f&eacute; &eacute; negada quando por causa de nossas idiossincrasias, pequenez, fechamento em n&oacute;s mesmos, ego&iacute;smo, intransig&ecirc;ncia, doutrinarismo, divisionismo etc, n&oacute;s nos dividimos. N&oacute;s podemos at&eacute; dizer que estamos fazendo isso em nome da f&eacute;, mas Jesus de alguma forma diz que n&oacute;s estamos negando a f&eacute; mais essencial quando assim procedemos.</span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">2) <strong>Nega o poder da obra de Jesus.</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">O verso 19 diz: &ldquo;que eles sejam santificados na unidade para que sejam um&rdquo;. Ou seja, Jesus disse &ldquo;eu me santifico a mim mesmo para que eles sejam santos&rdquo;, e entra no tema da unidade logo a seguir. Isso nos faz pensar que na mente de Jesus Unidade &eacute; uma das marcas de verdadeira santidade. Os santos vivem em comunh&atilde;o uns com os outros e o sangue de Jesus os purifica de todo pecado.</span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">3) <strong>Nega a nossa f&eacute; na natureza do Deus Triuno, um em tr&ecirc;s.</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Unidade deve ser o resultado natural da compreens&atilde;o da natureza do ser de Deus. Quem aceita um em tr&ecirc;s, n&atilde;o tem problema de ser um com os diferentes. Se eu aceito um em tr&ecirc;s eu n&atilde;o tenho problema de ser um com seu irm&atilde;o que &eacute; &ldquo;outro&rdquo;, e que em Cristo &eacute; &ldquo;um&rdquo; comigo.</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">A des-unidade evang&eacute;lica tem mais a ver com a pr&eacute; compreens&atilde;o polite&iacute;sta do mundo do que com a vis&atilde;o monote&iacute;sta do mundo. Nossas divis&otilde;es parecem mais com as dos deuses do Olimpo do que com o Deus da cruz que disse: &ldquo;Quando eu for levantado da terra atrairei todos a mim mesmo&rdquo;, ou ainda, como em Jo&atilde;o 17: &ldquo;Eu em ti e tu em mim e eles em n&oacute;s&rdquo;.</span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">4) <strong>Nega a dial&eacute;tica aperfei&ccedil;oadora do processo de vida social.</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Jesus diz no verso 23: &ldquo;Pai, que eles sejam um a fim de que sejam aperfei&ccedil;oados na unidade&rdquo;. Isso porque n&oacute;s s&oacute; crescemos nas contradi&ccedil;&otilde;es, na dial&eacute;tica da vida social da f&eacute;. Aqueles que s&oacute; se encontram com os iguais n&atilde;o crescem. Por isso que eu gosto de participar de encontros entre os diferentes.</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Jesus disse que a fim de que se cres&ccedil;a como comunidade, tem que ser dentro da dial&eacute;tica da vida processual, onde se &eacute; aperfei&ccedil;oado na unidade, uma vez expostos &agrave; diversidade da comunh&atilde;o da f&eacute;. Unidade n&atilde;o &eacute; afirma&ccedil;&atilde;o dos iguais, unidade &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o dos diferentes que se encontram numa converg&ecirc;ncia superior &agrave;s diferen&ccedil;as.</span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">5) <strong>Nega o amor de Deus pelos homens.</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">O verso 23 nos fala a respeito disso. Se os amados de Deus n&atilde;o se amam, &eacute; porque nunca conheceram o amor de Deus, e se dizem conhecer a Deus e n&atilde;o o amam &eacute; porque o Deus que conhecem n&atilde;o &eacute; amor. Observe como o verso 23 &eacute; forte: &ldquo;Eu neles, Tu em mim, a fim de que sejam aperfei&ccedil;oados na unidade&#8230;&#8221;. [Continua. Esperamos em breve publicar o complemento]</span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 11pt;">Transcri&ccedil;&atilde;o:<br /></span><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><span style="font-size: 11pt;">Aline Bentes</span><br /><span style="font-size: 11pt;"><a href="mailto:aline.bentes@gmail.com">aline.bentes@gmail.com</a></span><br /><br /><br /></span></p>  ]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Brasil, um país evangélico. &#8211; Revista ISTOÉ/1321 &#8211; 25/01/1995</title>
		<link>https://caiofabio.com.br/brasil-um-pais-evangelico-revista-istoe-1321-25-01-1995/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[y]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2020 18:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Histórias]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Revista ISTO&#201;/1321 &#8211; 25/01/1995 &#160; ENTREVISTA Brasil, um pa&#237;s evang&#233;lico Ex-viciado, o pastor Caio F&#225;bio defende descrimina&#231;&#227;o de drogas, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[ <p><img decoding="async" src="https://1.bp.blogspot.com/-LcX7liVPHdE/XzMJql7WoCI/AAAAAAABNFo/UsDOMv4K_fwEokq02GS-bvaIR4x50leMwCLcBGAsYHQ/w404-h513/Brasil%252C%2Bum%2Bpais%2Bevange%25CC%2581lico.jpg" alt="" width="403" height="513" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Revista ISTO&Eacute;/1321 &#8211; 25/01/1995</span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 16pt;">ENTREVISTA</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 16pt; color: #000000;"><strong>Brasil, um pa&iacute;s evang&eacute;lico</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Ex-viciado, o pastor Caio F&aacute;bio defende descrimina&ccedil;&atilde;o de drogas, fabrica esperan&ccedil;as, ataca bispo Macedo e explica por que cat&oacute;licos perdem espa&ccedil;o</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;">Por Daniel Stycer e Domingos Fraga</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>At&eacute; um ano atr&aacute;s, o nome do pastor Caio F&aacute;bio D&rsquo;Ara&uacute;jo Filho, 39 anos, era praticamente desconhecido para al&eacute;m dos templos evang&eacute;licos. L&iacute;der de um rebanho que congrega perto de 17 milh&otilde;es de fi&eacute;is, a Associa&ccedil;&atilde;o Evang&eacute;lica Brasileira, que representa metade dos evang&eacute;licos do Pa&iacute;s, Caio F&aacute;bio se deu conta de que j&aacute; era hora de separar o joio do trigo. Come&ccedil;ou a falar mais alto e passou a ser ouvido por um p&uacute;blico cada vez mais interessado. Apesar de afirmar que n&atilde;o busca o conflito, seu nome vem surgindo como o antibispo Macedo. Amazonense, radicado em Niter&oacute;i, tem liderado uma s&eacute;rie de campanhas c&iacute;vicas no Rio de Janeiro. Na &uacute;ltima delas, subiu morros da cidade propondo trocar armas de brinquedo por brinquedos de verdade. Em 1994 fundou a F&aacute;brica da Esperan&ccedil;a, um superprojeto social instalado numa antiga f&aacute;brica de 55 mil metros quadrados no sub&uacute;rbio de Acari. Ali, com a ajuda da Xerox, ele est&aacute; instalando uma oficina profissionalizante e uma creche para 500 crian&ccedil;as. Nesta entrevista a ISTO&Eacute;, Caio F&aacute;bio conta como resolveu largar as drogas (hoje, prega a descrimina&ccedil;&atilde;o da maconha), critica asperamente os evang&eacute;licos &ldquo;rarefeitos&rdquo;, eufemismo que utiliza para denominar os l&iacute;deres de Igrejas como a Universal do Reino de Deus, fala sobre a viol&ecirc;ncia no Rio e aponta os motivos para o esvaziamento da Igreja Cat&oacute;lica. Ele decreta: &ldquo;O maior grupo religioso hoje no Brasil j&aacute; &eacute; a Igreja Evang&eacute;lica.&rdquo; </strong></span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>ISTO&Eacute; </strong><strong>&ndash;</strong> <em>&Eacute; verdade que o sr. se converteu &agrave; Igreja presbiteriana depois de estar no fundo do po&ccedil;o das drogas?</em></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Caio F&aacute;bio </strong><strong>&ndash;</strong> Sou filho de pai agn&oacute;stico e de m&atilde;e presbiteriana. Em 1964, meu pai foi diretamente atingido pelo golpe militar. A fam&iacute;lia se arrebentou. Com o golpe, ele perdeu quase tudo. Foi muito humilhado e veio morar no Rio. Cheguei aqui hipersensibilizado. Eu tinha nove para dez anos. Dois anos depois, em 1966, aconteceu uma trag&eacute;dia que me marcou muito. Uma enchente derrubou v&aacute;rios barracos da favela Pav&atilde;o&ndash;Pav&atilde;ozinho. Eu ficava ali embaixo contando corpos. Naquele per&iacute;odo, comecei a conhecer um monte de gente que estava envolvida com drogas. Todos os meus her&oacute;is eram uns drogados. Resisti por algum tempo, mas &agrave;s v&eacute;speras dos 13 anos comecei a me utilizar de drogas leves, depois coca&iacute;na. E assim foi at&eacute; os 19 anos, quando passei por uma crise existencial agud&iacute;ssima. Comecei a ter id&eacute;ias autodestrutivas. Numa noite de quarta-feira, em julho de 1973, em Manaus, numa das noites mais sombrias da minha exist&ecirc;ncia psicol&oacute;gica, com vontade de me matar, peguei minha moto pensando em encontrar algu&eacute;m que tivesse uma arma para me emprestar. Eu dirigia pela avenida Eduardo Ribeiro de olhos fechados na contram&atilde;o por 30 segundos, com vontade de me arrebentar contra alguma coisa. Eu fumava 14 baseados por dia, cheirava p&oacute; umas duas ou tr&ecirc;s vezes para acabar com a morga&ccedil;&atilde;o provocada pela maconha e, nos fins de semana, utilizava tudo isso e mais uma s&eacute;rie de drogas com anfetamina.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>ISTO&Eacute; </strong><strong>&ndash;</strong> <em>Como foi que se deu sua convers&atilde;o?</em></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Caio F&aacute;bio </strong><strong>&ndash;</strong> Naquela noite, passei na frente de uma igreja. Tinha gente transbordando. Entrei. Vi muita gente gritando. O pastor falava e as pessoas respondiam aleluia. Eu era uma pessoa filosoficamente sofisticada, cr&iacute;tica, que fazia parte do underground cultural daqueles dias. Aquele era um mundo que eu repudiava e abominava completamente. Um homem ao meu lado segurava uma crian&ccedil;a no colo e toda vez que gritava aleluia a crian&ccedil;a chorava. &ldquo;Esse sujeito &eacute; mais doido do que eu. O que estou fazendo aqui?&rdquo;, me perguntei. De repente, prestei aten&ccedil;&atilde;o no que o pastor estava falando e &ldquo;viajei&rdquo; na mensagem dele. E comecei a chorar.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>ISTO&Eacute; </strong><strong>&ndash;</strong> <em>A que o sr. credita o crescimento das Igrejas pentecostais a partir da d&eacute;cada de 80?</em></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Caio F&aacute;bio </strong><strong>&ndash;</strong> O movimento protestante chegou ao Brasil h&aacute; 140 anos de maneira formal com as Igrejas hist&oacute;ricas (luteranos, presbiterianos, episcopais, metodistas, congregacionais, batistas). Os pentecostais chegaram h&aacute; 85 anos com as Assembl&eacute;ias de Deus e cresceram imensamente. Cresceram muito antes da d&eacute;cada de 70. O boom que aconteceu na d&eacute;cada de 80 envolve a Igreja evang&eacute;lica como um todo. A notoriedade desse movimento &eacute; que aconteceu no final da d&eacute;cada de 80. E aconteceu de maneira negativa. J&aacute; era uma multid&atilde;o expressiv&iacute;ssima, mas absolutamente encoberta, sociologicamente n&atilde;o notada, politicamente adormecida. Quando surge a abertura e, em 1986, o convite para a sociedade se organizar para escrever a nova Constitui&ccedil;&atilde;o, os evang&eacute;licos se levantaram e disseram: &ldquo;Vamos participar disso.&rdquo; S&oacute; que, dos 35 candidatos evang&eacute;licos eleitos, apenas uns oito tinham consci&ecirc;ncia crist&atilde; e pol&iacute;tica para representar a cidadania de maneira adulta. Os outros eram indiv&iacute;duos inexperientes e, do ponto de vista &eacute;tico, alguns eram absolutamente rarefeitos, sem conte&uacute;do nenhum. Outro fator que deu notoriedade aos evang&eacute;licos naquele per&iacute;odo foi o aparecimento agressivo da Igreja Universal do Reino de Deus. Foi uma Igreja que surgiu liderada pelo Edir Macedo, que, do ponto de vista empresarial, &eacute; uma &aacute;guia, espert&iacute;ssima, &aacute;gil, e que monta uma Igreja baseada no sincretismo entre a f&eacute; evang&eacute;lica e as cren&ccedil;as populares brasileiras. Ele se apodera de elementos como o sal grosso para jogar fora os esp&iacute;ritos maus; a arruda; uma quantidade enorme de pedras de toque. Tudo isso tomado de uma f&eacute; bastante agressiva. Houve invas&otilde;es de casas de macumba para quebrar &iacute;dolos, espet&aacute;culos televisivos onde se quebravam as imagens de dem&ocirc;nios. H&aacute; uma guerra simb&oacute;lica e poderosa com outros grupos religiosos. Al&eacute;m disso, esse indiv&iacute;duo constr&oacute;i uma Igreja com &ecirc;nfase enorme na quest&atilde;o das riquezas materiais, como sin&ocirc;nimo da ben&ccedil;&atilde;o de Deus e como uma chave que abre completamente a prosperidade pessoal. Se voc&ecirc; est&aacute; em estado de pobreza &eacute; porque h&aacute; alguma maldi&ccedil;&atilde;o na sua vida. E a &uacute;nica maneira de sair desse estado &eacute; doando muito. A constru&ccedil;&atilde;o dessa arquitetura religiosa e social &eacute; t&atilde;o controversa que esse homem atraiu uma aten&ccedil;&atilde;o brutal para si e para o seu grupo que deu uma visibilidade terr&iacute;vel aos evang&eacute;licos como um todo.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>ISTO&Eacute; </strong><strong>&ndash;</strong> <em>O chamado grupo &eacute;tico dos evang&eacute;licos surgiu ent&atilde;o para se contrapor a esses picaretas? </em></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Caio F&aacute;bio </strong><strong>&ndash;</strong> O que aconteceu foi que n&oacute;s t&iacute;nhamos a santa inoc&ecirc;ncia de acreditar que a m&iacute;dia haveria de descobrir o que era certo e errado nesta hist&oacute;ria toda. Depois de algum tempo, ca&iacute;mos em profunda ang&uacute;stia porque n&atilde;o aguent&aacute;vamos mais andar por a&iacute; tendo que dar explica&ccedil;&otilde;es acerca de pessoas e a&ccedil;&otilde;es com as quais n&oacute;s n&atilde;o t&iacute;nhamos nada a ver. Algumas dessas a&ccedil;&otilde;es n&oacute;s abomin&aacute;vamos e repudi&aacute;vamos. Antes de mais nada, &eacute; preciso fazer um reparo. N&atilde;o se pode associar o pentecostalismo &agrave; picaretagem. A maioria dos pastores pentecostais que conhe&ccedil;o s&atilde;o pessoas s&eacute;rias e pobres. Cerca de 75% dos pastores evang&eacute;licos ganham 2,5 sal&aacute;rios m&iacute;nimos.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>ISTO&Eacute; </strong><strong>&ndash;</strong> <em>O que o horrorizava nas a&ccedil;&otilde;es da Igreja Universal do Reino de Deus?</em></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>C&aacute;io F&aacute;bio </strong><strong>&ndash;</strong> Em primeiro lugar, esses pedidos ostensivos e esse saqueamento psicol&oacute;gico e espiritual feito ao bolso das pessoas. &Eacute; um saqueamento dizer &ldquo;se voc&ecirc; n&atilde;o contribuir, a maldi&ccedil;&atilde;o vai continuar sobre a sua vida e a &uacute;nica maneira de voc&ecirc; prosperar &eacute; dando, e dando aqui&rdquo;. A maioria das pessoas que est&aacute; debaixo dessa chantagem &eacute; de pessoas miser&aacute;veis, algumas desempregadas, passando por uma situa&ccedil;&atilde;o social pavorosa e que est&atilde;o se agarrando ali como &uacute;ltima t&aacute;bua de salva&ccedil;&atilde;o.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>ISTO&Eacute; </strong><strong>&ndash;</strong> <em>Qual sua opini&atilde;o sobre o bispo Edir Macedo?</em></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Caio F&aacute;bio </strong><strong>&ndash;</strong> Acredito que o Macedo est&aacute; disposto a morrer por aquilo em que ele acredita. H&aacute; um simplismo enorme da m&iacute;dia em achar que ele &eacute; um grande picareta que talvez nem creia em Deus. Ele cr&ecirc; em Deus. Agora, o Deus no qual ele cr&ecirc; &eacute; diferente da maneira que eu vejo Deus, o Evangelho e Jesus. Ele acredita ser um enviado de Deus com uma miss&atilde;o messi&acirc;nica. Ele est&aacute; disposto a morrer em pra&ccedil;a p&uacute;blica por isso a&iacute;. Ele acredita que o que ele prega &eacute; uma mensagem enviada por Deus a ele, para ele fazer conhecida no mundo. E a&iacute;, meu amigo, quando voc&ecirc; tem uma finalidade messi&acirc;nica absurdamente definida na sua mente, os meios tornam-se relativos.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>ISTO&Eacute; </strong><strong>&ndash;</strong> <em>O sr. tem ambi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas?</em></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Caio F&aacute;bio </strong><strong>&ndash;</strong> H&aacute; dez anos que sou convidado para ingressar em projetos pol&iacute;ticos, especialmente em &eacute;pocas eleitorais. Mas se um dia eu ingressasse no plano pol&iacute;tico-partid&aacute;rio seria a coisa mais idiota que eu faria.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>ISTO&Eacute; </strong><strong>&ndash;</strong> <em>Como o sr. se define politicamente?</em></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Caio F&aacute;bio </strong><strong>&ndash;</strong> A minha grande ideologia &eacute; o Evangelho. Qualquer outra coisa, eu leio relativizando. Do ponto de vista das liberdades humanas, minhas afirma&ccedil;&otilde;es soariam semelhantes &agrave;s de um liberal. Do ponto de vista de compromissos com a sociedade, com os desfavorecidos, meu discurso soa com o pessoal chamado de esquerda.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>ISTO&Eacute; </strong><strong>&ndash;</strong> <em>Ent&atilde;o, o sr. &eacute;</em> tucano<em>?</em></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Caio F&aacute;bio </strong><strong>&ndash;</strong> [<em>risos</em>] N&atilde;o. Tamb&eacute;m n&atilde;o sou, porque vejo nos <em>tucanos</em> uma postura de extremo polimento. Acho que o ser humano n&atilde;o pode ter medo de correr riscos. Frequentemente pulo o muro.</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>ISTO&Eacute; </strong><strong>&ndash;</strong> <em>Como o sr. analisa o fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia no Rio?</em></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000; font-size: 12pt;"><strong>Caio F&aacute;bio </strong><strong>&ndash;</strong> Em primeiro lugar, a viol&ecirc;ncia no Rio &eacute; maior nos grandes calombos da cidade, os montes, geografias que adensam a visibilidade da produ&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia. Segundo, temos a viol&ecirc;ncia dentro do aparato de repress&atilde;o, que &eacute; t&atilde;o grave ou pior do que a que &eacute; praticada do lado de fora. [Continua. Em breve publicaremos o complemento desta entrevista]</span></p>
<p align="left"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000;"><strong>Transcri&ccedil;&atilde;o:</strong><br />Aline Bentes.<br /></span><span style="color: #000000;">aline.bentes@gmail.com<br /></span></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>  ]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Medo do Desemprego em Tempos de Covid-19</title>
		<link>https://caiofabio.com.br/o-medo-do-desemprego-em-tempos-de-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[y]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2019 18:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[Medo! &#160; Nestas &#250;ltimas semanas, esta tem sido uma palavra muito ouvida, escrita, usada. Pior que ler ou escrever, &#233; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[ <p>Medo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nestas &uacute;ltimas semanas, esta tem sido uma palavra muito ouvida, escrita, usada.<br /><br /></p>
<p><br />Pior que ler ou escrever, &eacute; <strong>sentir medo!<br /></strong><br />&nbsp;</p>
<p>De acordo com uma pesquisa CNT divulgada ontem 68,1% da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; com medo do desemprego.<br /><br /><br />E o medo de contrair o Corona Virus? E o medo de quebrar o neg&oacute;cio?<br /><br /><br />E o medo de ficar isolado em casa? Os psiquiatras j&aacute; alertam para os efeitos devastadores do isolamento sobre a psiqu&ecirc;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O ser humano tem tr&ecirc;s atitudes diante do medo: <strong>paralisar, fugir ou enfrentar</strong>!<br /><br /><br />Alguns ficam totalmente paralisados. N&atilde;o conseguem ter qualquer rea&ccedil;&atilde;o; entregam-se &agrave;s ang&uacute;stias do medo e o alimentam ainda mais.<br /><br /><br />Entram em crise, perdem o sono, perdem a fome.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Outros fogem. Fazem de conta que a crise n&atilde;o existe; o medo os leva a se refugiarem em outras atividades: filmes, s&eacute;ries, jogos, sexo; qualquer coisa que ocupe todo o tempo e os fa&ccedil;a esquecer o medo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>N&atilde;o resolvem o problema que gera o medo; apenas o negam, empurram para o futuro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Contudo, ningu&eacute;m consegue escapar das consequ&ecirc;ncias do medo, seja fugindo ou paralisando diante dele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o para se livrar do medo &eacute; o enfrentando!<br /><br /><br />Se voc&ecirc; est&aacute; com medo de ficar desempregado por causa desta pandemia do Corona V&iacute;rus, pense em tr&ecirc;s grandes oportunidades que esta situa&ccedil;&atilde;o pode trazer para voc&ecirc;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Procure por tr&ecirc;s poss&iacute;veis grandes solu&ccedil;&otilde;es, sa&iacute;das, mudan&ccedil;as, que voc&ecirc; pode ter por causa desta mandemia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>N&atilde;o d&aacute; pra ficar esperando, sofrendo calado e sem fazer nada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>N&atilde;o d&aacute; tamb&eacute;m pra fugir, enchendo os dias de coisas que n&atilde;o trazer nenhuma mudan&ccedil;a para voc&ecirc;!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agora &eacute; hora de se reinventar, hora de buscar solu&ccedil;&otilde;es, de ser criativo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu quero mostrar uma destas alternativas: Trabalhar em casa!<br /><br /><br />Sim, voc&ecirc; pode aproveitar o isolamento, e come&ccedil;ar a trabalhar em casa para gerar renda para sua fam&iacute;lia e se livrar do medo do desemprego.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Existem muitas possibilidades de trabalho em casa. Uma delas &eacute; ter uma franquia digital!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Assista no v&iacute;deo abaixo, uma op&ccedil;&atilde;o de franquia digital; acredito que ela seja muito boa para este momento:<br />&nbsp;</p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/Az_yELT6hHQ" width="560" height="315"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os detalhes desta franquia digital podem ser vistos <a title="Franquia Digital" href="https://franquiadigitalgratus.com" target="_blank" rel="noopener">neste site, que voc&ecirc; pode acessar aqui</a>N&atilde;o sei se esta ser&aacute; a melhor op&ccedil;&atilde;o para voc&ecirc;, mas sei que &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o, e voc&ecirc; n&atilde;o pode ficar parado esperando ver no que vai dar!<br /><br /><br />Veja esta sugest&atilde;o que estou dando apenas como um ponto de partida para voc&ecirc; pensar em outras solu&ccedil;&otilde;es ao seu medo!</p>  ]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DEBATE &#8211; CAIO FÁBIO X PAULO COELHO &#8211; 1997</title>
		<link>https://caiofabio.com.br/debate-caio-fabio-x-paulo-coelho-1997/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[y]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jan 2019 08:46:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Histórias]]></category>
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					<description><![CDATA[DEBATE &#8211; CAIO F&#193;BIO X PAULO COELHO &#8211; 1997 Esse foi um Debate promovido pelo Jornal O Dia. E tamb&#233;m [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[ <h3><img decoding="async" style="height: 480px; width: 640px;" src="https://4.bp.blogspot.com/-sEfRKJ_GgcA/WK8nEgcyVAI/AAAAAAAAs9Q/HKvnEB-0QW4D_gEeLi9O3CmP2n4EciHQQCLcB/s640/debate%2B-%2Bcaio%2Bf%25C3%25A1bio%2Be%2Bpaulo%2Bcoelho.png" alt="" /><br /> <br /> <br /> <strong>DEBATE &#8211; CAIO F&Aacute;BIO X PAULO COELHO &#8211; 1997</strong><br /> <br /> Esse foi um Debate promovido pelo Jornal O Dia. E tamb&eacute;m foi capa da revista &ldquo;Vinde&rdquo; em maio de 1997. Estavam presentes v&aacute;rias pessoas assistindo ao debate, mas quem fez a media&ccedil;&atilde;o, para que esse encontro acontecesse, foi o meu amigo Jornalista Ot&aacute;vio Guedes, hoje chefe de reda&ccedil;&atilde;o do Jornal Extra.</h3>
<p>Caio</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</p>
<h3>&middot; MISTICISMO</h3>
<p>PAULO COELHO &ndash; Tudo &eacute; f&eacute;. Na verdade, o que &eacute; capaz de remover montanhas transformar o ser humano &eacute; a f&eacute;. A f&eacute; &eacute; um passo que voc&ecirc; d&aacute; sem saber o resultado. Mas com a certeza de que algu&eacute;m est&aacute; segurando sua m&atilde;o. J&aacute; o misticismo seria um subproduto da f&eacute;, que levaria ao fanatismo e &agrave; supersti&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>CAIO FABIO &ndash; O misticismo &eacute; uma f&eacute; envolta por credulidade e a f&eacute; &eacute; uma percep&ccedil;&atilde;o do mundo invis&iacute;vel que o trata com cristalinidade. A f&eacute; se projeta para o centro de poder do universo, que &eacute; o Criador. E o misticismo se concentra nos elementos intermedi&aacute;rios, ao inv&eacute;s de se concentrar naquele que irradia toda vida e todo poder. Se concentra nos aparatos, nos instrumentos, nas pedras de toque, nos mediadores vis&iacute;veis. O grande desafio que a gente v&ecirc; na B&iacute;blia &eacute; exatamente este: n&atilde;o colocar nesses instrumentos, nesses mediadores menores, a f&eacute; que a gente deve depositar no Criador acima de tudo e acima de qualquer coisa.</p>
<h3>&middot; IDOLATRIA</h3>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; A idolatria &eacute; uma f&eacute; reduzida, confinada, a servi&ccedil;o do objeto toc&aacute;vel, palp&aacute;vel, e que se esqueceu que a causa de todas as coisas &eacute; invis&iacute;vel, que &eacute; o Criador.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; A&iacute; come&ccedil;am as diferen&ccedil;as entre mim e o pastor. Eu sou cat&oacute;lico. Saindo do catolicismo e indo para a origem ao cristianismo, para um momento anterior ao cisma, a Igreja Ortodoxa sempre nos colocava a iconografia, o &iacute;cone era a manifesta&ccedil;&atilde;o de vida, da presen&ccedil;a e da beleza de Deus. Ou seja, o sujeito ia para ali, pintava aquela imagem, e ao pintar aquela imagem n&atilde;o era simplesmente o ato de passar um pincel. Ele procurava manifestar a beleza que estava vendo e condensa-la no sentido de mostrar como ele a percebia. Por outro lado, como n&oacute;s somos seres humanos que n&atilde;o atingimos a perfei&ccedil;&atilde;o, n&oacute;s precisamos de um elemento catalisador. Eu, por exemplo, me ajoelho diante de S&atilde;o Jos&eacute;, que &eacute; meu santo padroeiro. Ao contemplar a vis&atilde;o que algu&eacute;m teve de S&atilde;o Jos&eacute;, eu consigo usar aquela imagem para me catapultar para uma energia maior.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; A quest&atilde;o passa por duas vari&aacute;veis. A primeira &eacute; o que, existencialmente, voc&ecirc; possa sentir num dado momento, fitando um objeto que para voc&ecirc; tem um poder inspirador. O outro &eacute; aquele que &eacute; o caminho aberto pela revela&ccedil;&atilde;o de Deus nas Escrituras, que &eacute; um caminho de constru&ccedil;&atilde;o com o invis&iacute;vel, exclusivamente pela f&eacute;. A&iacute;, a gente tem o grande clamor de Deus a Mois&eacute;s no deserto: &ldquo;Ouve, &oacute; Israel, o Senhor teu Deus &eacute; o &uacute;nico Deus e n&atilde;o esque&ccedil;as de que no dia em que o Senhor falou contigo no deserto n&atilde;o viste nem imagem, nem contorno, nem coisa alguma, porque Deus &eacute; Esp&iacute;rito&rdquo;.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Mas Deus mandou Mois&eacute;s construir uma serpente.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Eu vou chegar l&aacute;. Ent&atilde;o h&aacute; esse objeto de adora&ccedil;&atilde;o universal, invis&iacute;vel. E a&iacute; vem Jesus e repete isto, falando a uma mulher de Samaria que quer adorar, mas n&atilde;o sabe onde, se no monte Gerizim ou em Jerusal&eacute;m. Jesus diz: &ldquo;Mulher, vem a hora, e j&aacute; chegou, que nem aqui neste monte, nem em Jerusal&eacute;m, adorareis ao Pai. Porque Deus &eacute; Esp&iacute;rito e importa que seus adoradores o adorem em Esp&iacute;rito e em verdade&rdquo;. Ent&atilde;o quando a gente est&aacute; falando de uma rela&ccedil;&atilde;o adulta, madura, a gente est&aacute; falando de um relacionamento que v&ecirc; o invis&iacute;vel pela f&eacute;, que encontra satisfa&ccedil;&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o com o intang&iacute;vel e que assume a intangibilidade de Deus como a &uacute;nica forma poss&iacute;vel de se relacionar com Deus. Com rela&ccedil;&atilde;o a Mois&eacute;s e aquela cobra do deserto, a gente est&aacute; no ponto em que eu quero chegar. Quando Mois&eacute;s mandou constru&iacute;-la, quem olhasse aquela serpente de bronze seria curado das mordeduras das v&iacute;boras que tinham entrado no acampamento de Israel, como uma maldi&ccedil;&atilde;o pela desobedi&ecirc;ncia deles. Alguns anos depois, voc&ecirc; vai recordar, Deus mandou destruir aquela serpente de bronze porque ela virou fetiche. Aquele era um elemento absolutamente circunstancial, apenas materializador de uma mensagem. E a mensagem era basicamente a seguinte: a maldi&ccedil;&atilde;o de voc&ecirc;s est&aacute; sendo absorvida por um igual. Serpentes matavam, e aquela serpente de bronze que foi criada por Mois&eacute;s era a materializa&ccedil;&atilde;o do fato de que esta maldi&ccedil;&atilde;o que mata hoje est&aacute; sendo absorvida por esta serpente aqui, mas esta serpente n&atilde;o tem nenhum valor intr&iacute;nseco, &eacute; s&oacute; bronze. A&iacute; o povo de Israel ficou t&atilde;o apaixonado pela serpente que passou a cultu&aacute;-la. Ent&atilde;o Deus mandou destruir a serpente.<br /> PAULO COELHO &ndash; Exatamente. A&iacute; reside o perigo. O perigo de voc&ecirc; pegar um meio como se fosse um fim. Para mim, Deus &eacute; vis&iacute;vel, e n&atilde;o invis&iacute;vel. Quando voc&ecirc; olha uma flor, ou olha o mar, isso &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o vis&iacute;vel. Ele est&aacute; em cada coisa. Em coisas que o homem criou ou que Ele criou. Ent&atilde;o, quando voc&ecirc; chega a este ponto, voc&ecirc; olha o mar e de repente entende que ali est&aacute; Deus &ndash; a&iacute;, o mar desaparece e voc&ecirc; v&ecirc; Deus.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Quando a B&iacute;blia fala da natureza, ela est&aacute; falando dos atributos. Deus est&aacute; presente em todas as coisas, mas todas as coisas n&atilde;o s&atilde;o Deus. Quando voc&ecirc; parte para a id&eacute;ia de que todas as coisas s&atilde;o Deus e n&atilde;o parte para esta contrapartida, a gente confina o Criador nesta pris&atilde;o c&oacute;smica.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Eu fiz uma m&uacute;sica assim com Raul Seixas: &ldquo;Saiba que eu estou em voc&ecirc;, mas voc&ecirc; n&atilde;o est&aacute; em mim&rdquo;. Era uma m&uacute;sica chamada Gita, e era baseada na id&eacute;ia de Deus.</p>
<h3>&middot; RELIGI&Atilde;O</h3>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Pessoalmente, acho que a religi&atilde;o exerce um papel de aio, como diz o ap&oacute;stolo Paulo. Aio era aquele escravo romano que pegava crian&ccedil;as na creche, levava pra casa, pegava de casa e levava pra creche. Em outras palavras, a religi&atilde;o &eacute; uma medicina para algo humano, mas est&aacute; absolutamente longe de ser o ideal divino do desenvolvimento da espiritualidade de qualquer pessoa.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Concordo. Caio tem uma religi&atilde;o, ele &eacute; pastor e eu sou cat&oacute;lico, mas acho que n&oacute;s dois vemos com suficiente clareza que a religi&atilde;o &eacute; um caminho. Eu n&atilde;o encontrei Deus pela religi&atilde;o. Encontrei Deus porque o perdi. Voc&ecirc; s&oacute; pode encontrar uma coisa que voc&ecirc; perde ou que nunca teve. Partindo do princ&iacute;pio de que a gente sempre tem Deus desde o nascimento, voc&ecirc; s&oacute; o reencontra se ousar perd&ecirc;-lo. Jesus escolheu Pedro porque ele foi o &uacute;nico que ousou perd&ecirc;-lo, foi colocado na mesma bandeja com Judas. Ou seja, um traiu e outro negou, um aceitou o perd&atilde;o de Deus e outro n&atilde;o aceitou, negou tudo o que Jesus tinha falado e se enforcou. Acho importante esse processo de nega&ccedil;&atilde;o, acredito muito na rebeli&atilde;o, espiritual e interior. Uma f&eacute; submissa &eacute;, para mim, fundamentalista, que qualquer coisa pode abalar. Eu sempre fui muito curioso e meio ousado. Claro que eu podia ter me estrepado. Cada passo que se d&aacute; &eacute; um risco. At&eacute; a luz &eacute; um risco, porque se voc&ecirc; ficar olhando muito o sol, voc&ecirc; fica cego.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Mas &eacute; bom lembrar que L&uacute;cifer &eacute; sede de luz.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; &Eacute; preciso experimentar todos os vinhos para saber qual &eacute; o melhor para voc&ecirc;. N&atilde;o se pode sempre dizer n&atilde;o, mesmo que voc&ecirc; apanhe. Eu sou um cara que continua, enfim, procurando. Hoje em dia eu aceito muito mais do que eu aceitava antes, mas continuo prestando aten&ccedil;&atilde;o em tudo, agora, procurando guiar meu cora&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Eu diria o seguinte: a religi&atilde;o nunca me seduziu, nunca me fascinou. Ao contr&aacute;rio, eu entendi h&aacute; 23 anos que a religi&atilde;o era apenas um meio sofr&iacute;vel que poderia me oferecer um espa&ccedil;o de conv&iacute;vio com a f&eacute;, um conv&iacute;vio mais pr&oacute;ximo, mais identific&aacute;vel com gente que estava na mesma caminhada confessada que eu estava. Mas os conflitos que eu tive &ndash; e tenho &ndash; com a religi&atilde;o s&atilde;o grandes. A grande fascina&ccedil;&atilde;o exercida na minha vida foi a pessoa de Jesus e a percep&ccedil;&atilde;o de que Ele n&atilde;o cabia em projeto religioso nenhum. Os crist&atilde;os que t&ecirc;m f&eacute; em Jesus podem ser de Jesus, mas Jesus n&atilde;o &eacute; dos crist&atilde;os. Ele &eacute; maior do que o cristianismo, maior do que todas essas constru&ccedil;&otilde;es religiosas que est&atilde;o a&iacute;. Eu percebi e devo isso a duas coisas: em primeiro lugar, a uma revela&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, atrav&eacute;s da Palavra de Deus; al&eacute;m disso, a uma bagagem hist&oacute;rica. Foi muito &uacute;til ter sido hippie, foi muito &uacute;til todo aquele processo de questionar institui&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Voc&ecirc; foi hippie? Eu tamb&eacute;m fui hippie, e hippie mesmo (risos).</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Juntar a rebeli&atilde;o hippie com a revela&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo cria no cora&ccedil;&atilde;o um desejo enorme de conhecer a Deus, de amar a revela&ccedil;&atilde;o vis&iacute;vel de Deus nesse mundo, que &eacute; Jesus, e a consci&ecirc;ncia constante de manter uma rela&ccedil;&atilde;o de permanente tens&atilde;o com a religi&atilde;o. Ou seja, &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o de love and hate, eu te amo e eu te odeio (risos). E fica o tempo todo, porque no dia em que voc&ecirc; apenas odiar, corre o risco de perder a comunh&atilde;o com milh&otilde;es de pessoas que est&atilde;o conscientemente andando na dire&ccedil;&atilde;o que voc&ecirc; diz estar andando. E no dia que voc&ecirc; amar radicalmente e totalmente, voc&ecirc; corre o risco de ser domesticado por uma espiritualidade pequena que rouba de voc&ecirc; a percep&ccedil;&atilde;o de sua irmandade fraterna &ndash; extremamente maior do que a religi&atilde;o.</p>
<h3>&middot; LIVRE ARB&Iacute;TRIO</h3>
<p>PAULO COELHO &ndash; Eu acredito que o livre arb&iacute;trio &eacute; uma &aacute;rea muito pantanosa para se discutir, mas acho que ele usa essas pessoas que, teoricamente, exercem o livre arb&iacute;trio para negar a Deus ou para mostr&aacute;-lo, voc&ecirc; me entende?</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Claro. No fim de tudo, todas as coisas v&atilde;o cooperar para o bem dos que amam a Deus e para a gl&oacute;ria de Deus.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Eu posso abstrair. Deus, no jardim do &Eacute;den, p&ocirc;s a serpente para usar como s&iacute;mbolo para colocar o universo em movimento, para que as coisas pudessem fazer esse percurso e voltar ao ponto de partida, que &eacute; o bem de quem ama a Deus e a grandeza de Deus. Se n&atilde;o houvesse todo esse c&iacute;rculo seria um horror, n&oacute;s n&atilde;o estar&iacute;amos aqui, n&atilde;o estar&iacute;amos combatendo o bom combate, fazendo parte dessa miss&atilde;o. Agora, al&eacute;m de tudo, eu respeito o mist&eacute;rio. A primeira pergunta foi sobre a f&eacute;, e a f&eacute; &eacute; voc&ecirc; dar um passo no escuro, s&oacute; que com coragem, sabendo que algu&eacute;m pega tua m&atilde;o e te conduz. Eu s&oacute; consigo ir at&eacute; a&iacute;, s&oacute; consigo ver at&eacute; a&iacute; e n&atilde;o tem como ir al&eacute;m disso.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; A tentativa de ir para al&eacute;m disso &eacute; uma tentativa demon&iacute;aca, luciferiana, &eacute; querer concorrer com o Criador. Agora, em rela&ccedil;&atilde;o ao livre arb&iacute;trio, Deus n&atilde;o deu tudo programado, por uma raz&atilde;o muito simples: da coisa programa n&atilde;o ia brotar amor. E Deus &eacute; amor. O amor de Deus, ou qualquer outra forma de amor, s&oacute; existe se puder haver uma porta aberta para qualquer outra coisa que n&atilde;o seja amor, que seja a op&ccedil;&atilde;o, como virar as costas por n&atilde;o querer falar. Ent&atilde;o, o fato de que Deus &eacute; amor n&atilde;o d&aacute; a Ele qualquer outra chance de criar seres inteligentes que n&atilde;o possam dizer: &ldquo;eu n&atilde;o quero te amar&rdquo;. Essas s&atilde;o algumas das limita&ccedil;&otilde;es intr&iacute;nsecas que existem no universo. Um ser relativamente livre, que sabe que existe, mas que n&atilde;o tem nenhuma outra chance de ser qualquer outra coisa, ent&atilde;o &eacute; uma m&aacute;quina de confessar amor por Deus. A&iacute; ter&iacute;amos uma contradi&ccedil;&atilde;o. Deus corre o risco e n&atilde;o ser amado, mas Ele prefere reste risco do que a certeza de um amor que n&atilde;o tem chance de ser qualquer outra coisa.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Eu acho que Ele n&atilde;o corre o risco. Acho que Ele sabe a fim da hist&oacute;ria.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Claro. &Eacute; por isso que Ele &eacute; Deus (risos).</p>
<h3>&middot; ATE&Iacute;SMO</h3>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Eu nunca encontrei um ateu de fato. Eu encontro pessoas com incapacidade de aceitar certas id&eacute;ias de Deus. S&atilde;o muito mais rea&ccedil;&otilde;es de natureza psicol&oacute;gica a determinadas formas nas quais o sagrado &eacute; embalado do que propriamente uma rejei&ccedil;&atilde;o de Deus. H&aacute; pessoas que foram t&atilde;o esmagadas, t&atilde;o traumatizadas pela tirania institucional do sagrado ou da religi&atilde;o que nunca conseguiram perceber Deus para al&eacute;m daquelas fronteiras e que d&atilde;o uma resposta raivosa a essa opress&atilde;o. H&aacute; a vis&atilde;o anal&iacute;tica da presen&ccedil;a hist&oacute;rica da religi&atilde;o na civiliza&ccedil;&atilde;o humana, que foi o que fez Marx e outros olharem para o fen&ocirc;meno religioso e negarem este fen&ocirc;meno. Eles trouxeram para dentro dessa id&eacute;ia a nega&ccedil;&atilde;o de Deus porque, na cabe&ccedil;a deles, a id&eacute;ia de Deus estava profundamente arraigada naquele processo de domina&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica que eles estavam abominando com raz&atilde;o de ser. Porque at&eacute; Deus abominava aquilo. Mas, fora disso, eu nunca encontrei ningu&eacute;m cujo ate&iacute;smo n&atilde;o pudesse ser explicado.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Cada vez que uma pessoa diz &ldquo;eu n&atilde;o acredito em Deus&rdquo;, na verdade, a frase n&atilde;o acaba a&iacute;. &Eacute; quase um pedido de ajuda. &Eacute; como se dissesse: &ldquo;por favor, me responda&rdquo;, entende? Se voc&ecirc; n&atilde;o polemiza, n&atilde;o &eacute; isso que interessa &agrave; pessoa. Ela quer que voc&ecirc; polemize, quer que voc&ecirc; fale. Dizer que n&atilde;o acredite em Deus &eacute; como um pedido de ajuda. Se n&atilde;o, ela n&atilde;o teria nem necessidade de dizer isso. Fizeram uma pesquisa agora, e deu 1% de ateus.</p>
<h3>&middot; FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO</h3>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Qualquer fundamentalismo &eacute; igual, seja religioso, cient&iacute;fico ou pol&iacute;tico. E todos eles trabalham em cima dos mesmos prop&oacute;sitos. A pessoa acredita na possibilidade da sintetiza&ccedil;&atilde;o de toda a verdade. O fundamentalista &eacute; o indiv&iacute;duo que acredita que cabe na cabe&ccedil;a dele, na liturgia dele, tudo aquilo que a gente possa chamar de verdadeiro.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; O risco do fundamentalismo &eacute; grande, porque a gente acaba partindo para a id&eacute;ia de que &ldquo;o meu Deus &eacute; melhor do que o seu&rdquo;. Assim como a f&eacute;, a busca espiritual se transformou na quest&atilde;o central da exist&ecirc;ncia humana, e o ser&aacute; nos pr&oacute;ximos 100, 200 anos. E como as pessoas acham que n&atilde;o sabem ter f&eacute;, se sentem indignas, elas tendem se segurar numa id&eacute;ia fechada de Deus. Isso ent&atilde;o vai provocar, daqui a um tempo &ndash; se a gente n&atilde;o cortar o mal pela raiz -, guerras religiosas. Vai provocar novamente a luta pela coisa mais il&oacute;gica do mundo que &eacute;: &ldquo;O meu Deus &eacute; mais forte que o seu&rdquo;. Esta luta n&atilde;o tem como acabar, porque se voc&ecirc; conseguir impor o seu Deus, voc&ecirc; j&aacute; acabou com tudo. Isso me preocupa muito.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Todo fundamentalista &eacute; pag&atilde;o, porque &eacute; confinador daquilo que &eacute; inconfin&aacute;vel, que &eacute; Deus. O fundamentalismo pratica a mais est&uacute;pida tentativa que o ser humano pode fazer sobre o Criador, que &eacute; tentar domesticar Deus. Ou ent&atilde;o querer dizer at&eacute; onde Deus vai, o que Deus pode e o que n&atilde;o pode fazer, ou a quem deve ouvir. O fundamentalismo entende que Deus est&aacute; a servi&ccedil;o da religi&atilde;o, e isso &eacute; paganismo cego, inverte a ordem universal, na qual todas as coisas existem para Deus e em Deus. E Deus &eacute; aquele que tem a absoluta liberdade de ser, sem jamais explicar porque Ele resolveu ser o que Ele &eacute;. Esses grupos todos que falam de maneira obcecada e fanatizada sobre f&eacute;, em geral, s&atilde;o os mais inseguros e os mais resistentes, porque n&atilde;o t&ecirc;m capacidade de aceitar qualquer encontro com qualquer coisa que eles acreditam, sob pena de que isso sacuda e enfraque&ccedil;a os fundamentos, sobre os quais n&atilde;o admitem que se fa&ccedil;am perguntas.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Muito bem explicado.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; A maior luta de Jesus foi contra os fundamentalistas. Foi o fundamentalismo que matou Jesus. O fundamentalismo que n&atilde;o aceita que o milagre seja feito no dia de s&aacute;bado, que diz que Jesus n&atilde;o pode tocar nas coisas que ele toca, comer a comida que come, conviver com as pessoas com quem convive.</p>
<h3>&middot; DEM&Ocirc;NIOS</h3>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Eu acredito. N&atilde;o como uma encarna&ccedil;&atilde;o do mal. Acho essa vis&atilde;o muito simplista. N&atilde;o existe, nesse universo, nada que n&atilde;o seja criatura. O &uacute;nico que &eacute;, &eacute; o Criador. Todas<br /> as outras formas de exist&ecirc;ncia s&atilde;o deriva&ccedil;&otilde;es Dele, s&atilde;o cria&ccedil;&otilde;es Dele. S&oacute; que algumas dessas cria&ccedil;&otilde;es existem e n&atilde;o sabem. Existem para outrem, n&atilde;o para si mesmas. Possivelmente, (o planeta) J&uacute;piter n&atilde;o diz: &ldquo;Eu sou J&uacute;piter!&rdquo; (risos). Mas existem outras criaturas com consci&ecirc;ncia de si. Em graus menores ou maiores, esses seres &ndash; que se conhecem e dizem &ldquo;eu sou&rdquo;, que sabem que existem, que se percebem &ndash; carregam dentro de si a virtude absolutamente radical que &eacute; a de decidir que seres eles querem continuar a ser. Eles fazem op&ccedil;&atilde;o, como eu fa&ccedil;o todos os dias. Todos os seres inteligentes que se auto percebem no universo t&ecirc;m poder de decidir. Eles n&atilde;o s&atilde;o m&aacute;quinas solares, n&atilde;o s&atilde;o seres programados para um tipo de fun&ccedil;&atilde;o, para fora das quais eles n&atilde;o tenham chances. Quando a B&iacute;blia fala de dem&ocirc;nios, ela est&aacute; falando de seres que se conhecem e que, em algum momento na hist&oacute;ria do universo, iniciaram um processo de exerc&iacute;cio de vontade al&eacute;m dessa contempla&ccedil;&atilde;o apaixonada pelo Criador. Ou seja, dem&ocirc;nios s&atilde;o narcisos incur&aacute;veis, que, ao inv&eacute;s de se saciarem com a beleza do criador, olharam para si e disseram &ldquo;eu sou&rdquo;. E a&iacute;, o centro do universo mudou e eles passaram a ser o centro, nesta busca de centralizar todas as coisas em si. Inicia-se um processo de tentativa de sedu&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o para fora dessa paix&atilde;o, desse amor pelo Criador. Ent&atilde;o, essa &eacute; uma maneira psicol&oacute;gica de descrever o surgimento do fen&ocirc;meno demon&iacute;aco no universo.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Vejo o dem&ocirc;nio como bra&ccedil;o esquerdo de Deus. E vejo que, na nossa limitada capacidade, criamos dem&ocirc;nios artificiais que podem at&eacute; se materializar e interferir, na medida em que voc&ecirc; esteja nas trevas, na medida em que voc&ecirc; acredite no poder desses dem&ocirc;nios. Ent&atilde;o, eu crio o dem&ocirc;nio x e come&ccedil;o a mentalizar aquele dem&ocirc;nio em outra pessoa. Se a pessoa acreditar no dem&ocirc;nio que criei, ent&atilde;o ela est&aacute; perdida. Na medida em que voc&ecirc; n&atilde;o se deixa possuir pela f&eacute; naquele dem&ocirc;nio que foi criado, ele deixa de existir. Os dem&ocirc;nios t&ecirc;m muitos nomes: inveja, avareza&#8230; Se voc&ecirc; acredita nestes dem&ocirc;nios, dan&ccedil;ou.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Paulo, acho que a gente est&aacute; falando de duas coisas. A primeira &eacute;: existem dem&ocirc;nios objetivos, reais, seres, entidades antag&ocirc;nicas ao amor de Deus nesse universo?</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Existem.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Sim, mas esses seres n&atilde;o foram criados por Deus demoniacamente. Eles se tornaram seres demon&iacute;acos. Ent&atilde;o, nesse sentido, eu n&atilde;o acredito que os dem&ocirc;nios sejam o bra&ccedil;o esquerdo de Deus, cumprindo uma miss&atilde;o. O que quero dizer &eacute; o seguinte: tenho a liberdade, pela minha exist&ecirc;ncia individual, de exercer fun&ccedil;&otilde;es antag&ocirc;nicas ao amor de Deus no Universo. Eu posso ser um irradiador de &oacute;dio, de amargura, de morte, de tudo aquilo que desagrega. Foi por isso que falei que s&atilde;o duas coisas diferentes. A primeira &eacute; o dem&ocirc;nio como um ente no universo, e &eacute; isso que eu estou gastando esse tempo todo para falar. Esse exerc&iacute;cio deu na liberdade individual contra o amor de Deus. Esse &eacute; o dem&ocirc;nio, e existem tamb&eacute;m os dem&ocirc;nios que s&atilde;o proje&ccedil;&otilde;es de nossos medos, temores, perversidades, maldades que tanto v&atilde;o de mim para o outro como v&ecirc;m do outro para mim. Esse dem&ocirc;nio &eacute; s&oacute; troca. Agora, esse outro que &eacute; entidade, independentemente de eu acreditar que ele existe ou n&atilde;o, ele existe.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Mas essa for&ccedil;a &eacute; igual a Deus?</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Claro que n&atilde;o, ela &eacute; criatura.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Se ela &eacute; criatura, ent&atilde;o ela teve um criador.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; E o criador &eacute; Deus. Ele criou seres como eu e como voc&ecirc;, que t&ecirc;m consci&ecirc;ncia da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia. Agora, justamente porque eu sei o que eu sou, posso sair daqui, chegar ali fora e abra&ccedil;ar algu&eacute;m ou esmurrar algu&eacute;m. Eu posso existir a favor do amor de Deus ou contra o amor de Deus, e a&iacute; eu posso me demonizar. Quando a B&iacute;blia fala de dem&ocirc;nios, est&aacute; falando de entidades espirituais que exercitaram a sua vontade contra o amor de Deus.</p>
<h3>&middot; LUTAR CONTRA DEUS</h3>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Na B&iacute;blia, os homens a quem Deus levou mais a s&eacute;rio foram os que lutaram contra Deus.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Jac&oacute;, por exemplo.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; &Eacute;, Jac&oacute;, que sai no pau com o anjo a noite inteira (risos). E no fim, Deus diz: &ldquo;Olha, Jac&oacute;, voc&ecirc; agora vai se chamar Israel, que significa aquele que contendeu com Deus&rdquo;. E Deus diz isso numa boa. Voc&ecirc; pega Mois&eacute;s, por exemplo, que chega para Deus e diz o seguinte: &ldquo;Olha, ou o Senhor continua sendo Deus deste povo aqui e anda com este povo, ou ent&atilde;o me risca do teu livro, ent&atilde;o n&atilde;o vou mais andar contigo tamb&eacute;m&rdquo;. E Deus chega e acolhe este indiv&iacute;duo, porque, estranhamente, Deus n&atilde;o gosta de uma rela&ccedil;&atilde;o com Ele que n&atilde;o tenha coragem de lhe fazer perguntas.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Posso fazer uma observa&ccedil;&atilde;o?</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Pode.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Essa id&eacute;ia me anima muito, porque, como cat&oacute;lico, eu acredito no mist&eacute;rio da Trindade, e Deus luta com Deus na medida em que Cristo, em dois momentos que estou me lembrando agora, o rejeita. Um, foi quando disse: &ldquo;Pai, afasta de mim este c&aacute;lice&rdquo;. Ele n&atilde;o vai aceitando, entendeu? E outro foi pouco antes de morrer, quando Jesus diz: &ldquo;Meu Deus, por que voc&ecirc; me desamparou?&rdquo;. Entendeu? Ele, sendo Deus, luta consigo mesmo, e n&oacute;s podemos ser a favor de Deus ou contra Deus. O que n&oacute;s n&atilde;o podemos ser &eacute; sem Deus. Essa rela&ccedil;&atilde;o passional que n&oacute;s temos com Deus &eacute; fundamental, porque nos culpamos muito de tomar, &agrave;s vezes, a atitude que Jac&oacute; toma quando ele luta com Deus. Ele peita e passa a noite inteira, e na hora que essa pessoa quer partir, ele diz: &ldquo;N&atilde;o, n&atilde;o v&aacute; embora, voc&ecirc; s&oacute; vai embora se me aben&ccedil;oar&rdquo;. E a&iacute; ele &eacute; aben&ccedil;oado.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; E Deus muda o nome de Jac&oacute; para Israel como pr&ecirc;mio. Israel &eacute; um nome que etimologicamente significa &ldquo;aquele que lutou com Deus&rdquo;.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Exatamente.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Quer dizer, o pr&ecirc;mio hist&oacute;rico dele &eacute; ter sido aquele que lutou com Deus e venceu.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; E n&oacute;s nos recusamos a aceitar que podemos, muitas vezes, lutar com Deus, isto &eacute;, combater o bom combate. A&iacute; vem a culpa, voc&ecirc; se acha longe de Deus, e diz: &ldquo;Ah, eu n&atilde;o sou digno e acabou&rdquo;. Um cara que n&atilde;o lutou com Deus foi J&oacute;. J&ocirc; &eacute; um cara que vai aceitando tudo. Ele &eacute; o profundo cumpridor de seus deveres, est&aacute; ali, fiel, prestando todos os seus sacrif&iacute;cios, profundamente agradecido, e &eacute; esse a quem Deus pune.</p>
<h3>&middot; JUSTI&Ccedil;A DIVINA</h3>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Tem uma coisa interessante, pensando em J&oacute;. Enquanto ele &eacute; obediente, disciplinado, certinho, absolutamente grato, bem sucedido, pr&oacute;spero, ele conhece a Deus s&oacute; de ouvir. Depois ele perde tudo o que tem e ganha um c&acirc;ncer de pele, passa pela agonia, experimenta a contradi&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica trazida pelos amigos dele, que querem encontrar na sua dor alguma coisa que seja explicada pelo pecado. Mas ele diz: &ldquo;O fato de passar pelo que estou passando n&atilde;o tem nada a ver com pecado&rdquo;. E a&iacute; ele abre o cora&ccedil;&atilde;o e inicia um processo de confrontos e de lutas enormes com Deus para, no fim do livro, chegar e dizer a s&uacute;mula de todas as coisas. Ele diz a Deus: &ldquo;Eu te conhecia s&oacute; de ouvir, mas agora os meus olhos te v&ecirc;em&rdquo;. Ou seja, antes, quando estava naquela prosperidade aben&ccedil;oada, ele era apenas algu&eacute;m que sabia de Deus. Agora, depois de um despojamento profundo, radical e de lutas com Deus, noites escuras, perguntas e arg&uuml;i&ccedil;&otilde;es&#8230;</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; E injusto, aparentemente. Porque, afinal de contas, ele &ndash; e quantas vezes n&oacute;s &ndash; vamos tirar de J&ocirc; e trazer para a gente -, quantas vezes sentimos Deus injusto? Entenda, a gente est&aacute; fazendo o trabalho dele, est&aacute; dando o melhor da gente, procurando cumprir aquilo que n&oacute;s acreditamos ou entendemos como f&eacute;, e de repente vem um problema que n&atilde;o estamos esperando. Ent&atilde;o a gente sente o ro&ccedil;ar do que a gente acha que &eacute; injusto, mas, na verdade, e o Caio falou bem, &eacute; o momento em que Deus est&aacute; cutucando para voc&ecirc; entender a interfer&ecirc;ncia dele na sua vida.<br /> CAIO F&Aacute;BIO &ndash; At&eacute; porque, de alguma forma, Deus n&atilde;o tem nenhum compromisso com a realiza&ccedil;&atilde;o de qualquer tipo de justi&ccedil;a cartesiana em rela&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s. O desejo e o compromisso Dele &eacute; de fazer a gente crescer, se tornar gente e perceber o mist&eacute;rio de Deus, a grandeza dessa revela&ccedil;&atilde;o de Deus e de nos fazer dar um salto para al&eacute;m dessa rela&ccedil;&atilde;o com Deus que &eacute; meramente informada que &eacute; daquele que sabe sobre Deus, acerca de Deus ou de Deus. Ou seja, ele nos p&otilde;e para al&eacute;m da teologia, que &eacute; o estudo de Deus, uma coisa muito primitiva. J&oacute; diz: &ldquo;Antigamente, eu te conhecia s&oacute; de ouvir, agora eu transcendi a isso, os meus olhos est&atilde;o vendo o invis&iacute;vel&rdquo;.</p>
<h3>&middot; PAULO COELHO FALA DE CAIO F&Aacute;BIO</h3>
<p>PAULO COELHO &ndash; O que eu conhe&ccedil;o do Caio s&atilde;o as obras. Para citar a B&iacute;blia, ela diz que pelas obras, n&atilde;o importa se voc&ecirc; tem f&eacute; ou n&atilde;o, Jesus faz a famosa defini&ccedil;&atilde;o das pessoas. &Eacute; pelos frutos que se conhece a &aacute;rvore. Essa defini&ccedil;&atilde;o est&aacute; presente em v&aacute;rias outras culturas, em v&aacute;rias outras religi&otilde;es tamb&eacute;m. A pessoa p&uacute;blica que Caio &eacute; e o trabalho que ele realiza s&atilde;o muito claros para mim. N&atilde;o &eacute; o cara que s&oacute; fica teorizando a respeito de Deus. Ele sabe que Deus se manifesta visivelmente.</p>
<h3>&middot; CAIO F&Aacute;BIO FALA DE PAULO COELHO</h3>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Eu o acompanho h&aacute; muitos anos e via algumas pontua&ccedil;&otilde;es na sua vida bem marcantes. Quando eu comecei a perceber Paulo Coelho no horizonte do Brasil, h&aacute; muito tempo, percebi uma pessoa com uma sede enorme de Deus, querendo essa &Aacute;gua da Vida. Fui vendo que sua obra, por exemplo, &eacute; uma jornada espiritual. A gente come&ccedil;a com um Paulo Coelho que assumia uma imagem p&uacute;blica. Para mim, que estava de longe olhando, voc&ecirc; era um bruxo no in&iacute;cio. A&iacute; esse bruxo vira mago. A&iacute; esse mago vira escritor e depois vira um cat&oacute;lico que escreve (risos). Eu estou vendo essa jornada e, para mim, o ponto de virada foi no dia em que o vi dando uma entrevista &ndash; n&atilde;o me lembro se para a Mar&iacute;lia Gabriela, foi num Cara a Cara desses -, quando voc&ecirc; disse o seguinte: &ldquo;Eu encontrei as trevas, e voc&ecirc; n&atilde;o pode imaginar o que &eacute; isso. Ningu&eacute;m deve brincar com isso&rdquo;. Houve uma profunda virada, que eu senti na sua maneira de ver quando voc&ecirc; fez essa declara&ccedil;&atilde;o e a sua caminhada vira numa outra dire&ccedil;&atilde;o da&iacute; em diante. H&aacute; muitos anos eu oro regularmente por voc&ecirc;.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Muito obrigado, n&atilde;o pare de rezar (risos).</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; Oro sempre pedindo a Deus que o fluxo da gra&ccedil;a dele sobre a sua vida permane&ccedil;a sempre, que Ele tome voc&ecirc; pela m&atilde;o todos os dias. N&atilde;o sei se voc&ecirc; se recorda, mas eu acho que h&aacute; uns tr&ecirc;s anos sua assessoria e a minha secret&aacute;ria v&aacute;rias vezes tentaram marcar um encontro entre n&oacute;s. Por que aquilo? Fui eu que tomei aquela iniciativa, porque eu vinha de longe olhando isso. O encontro n&atilde;o houve porque voc&ecirc; viaja muito e eu tamb&eacute;m.</p>
<p>PAULO COELHO &ndash; Eu me lembro disso, sim.</p>
<p>CAIO F&Aacute;BIO &ndash; A gente se encontrou na ponte a&eacute;rea e conversamos rapidamente. H&aacute; quanto tempo que eu venho desejoso de que essa aproxima&ccedil;&atilde;o aconte&ccedil;a e estou feliz depois disso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<br /> Transcrito por F&aacute;bio Menen</p>  ]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Oração por Bolsonaro e pelo Brasil!</title>
		<link>https://caiofabio.com.br/oracao-por-bolsonaro-e-pelo-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[y]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jan 2019 08:46:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Devocionais]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[ <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Jq8imcZCkos" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>  ]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>ENTREVISTA PARA A REVISTA COMUNHÃO</title>
		<link>https://caiofabio.com.br/entrevista-para-a-revista-comunhao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[y]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Apr 2018 19:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Histórias]]></category>
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					<description><![CDATA[Nascido em Manaus (AM), este ex-pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, pela qual atuou por tr&#234;s d&#233;cadas,&#160; identifica-se hoje, aos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[ <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Jz6vVo1REb4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Nascido em Manaus (AM), este ex-pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, pela qual atuou por tr&ecirc;s d&eacute;cadas,&nbsp; identifica-se hoje, aos 64 anos, como o &ldquo;mais pol&ecirc;mico defensor do Evangelho&rdquo;. Ele recebeu a equipe de Comunh&atilde;o, em Bras&iacute;lia, para tratar de variados assuntos, tanto os de &acirc;mbito pessoal quanto os relacionados ao seu minist&eacute;rio. Sem papas na l&iacute;ngua, foi categ&oacute;rico ao afirmar que, independentemente da interpreta&ccedil;&atilde;o das pessoas &agrave; sua volta sobre a B&iacute;blia ou sobre sua vida, &eacute; um seguidor de Jesus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O fato de ser filho de um advogado, pastor e ex-procurador da Rep&uacute;blica e de uma professora foi determinante para sua sede de conhecimento?</strong><br /> N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que, ao ter uma cria&ccedil;&atilde;o com esse est&iacute;mulo de interesse e provoca&ccedil;&atilde;o, o pendor para esse desejo se torna natural. &nbsp;Meus pais j&aacute; eram produto de uma gera&ccedil;&atilde;o sedenta por conhecimento. Meu av&ocirc; j&aacute; tinha essa avidez pelo saber; minha av&oacute; materna, que veio de uma fam&iacute;lia francesa, era protestante com sede de leitura b&iacute;blica. E isso tudo se soma em rela&ccedil;&atilde;o a quem voc&ecirc; &eacute;. Sou de uma gera&ccedil;&atilde;o &aacute;vida por conhecimento, diferente da gera&ccedil;&atilde;o dos meus netos, dotada por compreens&atilde;o tecnol&oacute;gica, mas n&atilde;o necessariamente de conhecimento. No meu tempo tinha mais perguntas sobre o cora&ccedil;&atilde;o, a alma e o ser do que este tempo. E quando me converti fiz quest&atilde;o de n&atilde;o estabelecer nenhuma ruptura. A convers&atilde;o mudou meu olhar, meus c&oacute;digos de valores e minha interpreta&ccedil;&atilde;o. Eu s&oacute; mudei de vida, nasci de novo, fui regenerado no cora&ccedil;&atilde;o pelo Esp&iacute;rito Santo, com uma mente com outros c&oacute;digos de valores e interpreta&ccedil;&atilde;o, mas vendo a minha gera&ccedil;&atilde;o como sempre vi.</p>
<blockquote>&nbsp;</blockquote>
<p><strong>Como &eacute; sua rela&ccedil;&atilde;o com seus filhos?</strong><br /> Tive cinco filhos que pessoalmente gerei. Depois me casei com a Adriana e adotei no cora&ccedil;&atilde;o os tr&ecirc;s filhos dela, e eles me adotaram tamb&eacute;m. A coisa mais maravilhosa que aconteceu &eacute; que todos se tornaram amigos. N&oacute;s somos pai e filho no mais profundo n&iacute;vel de paternidade e de filia&ccedil;&atilde;o. Eles s&atilde;o pessoas nas quais eu confio totalmente, sei quem s&atilde;o e eles sabem quem eu sou, e o nosso amor tem sido provado, crescido e aumentado. Nossa casa &eacute; cheia de liberdade. S&atilde;o seres bem diferentes, com voca&ccedil;&otilde;es e personalidades distintas, mas com amor igual.</p>
<p>&ldquo;Aquilo s&oacute; aconteceu comigo porque eu era quem eu era, como eu era, naquela hora, naquele tempo, naquele ano, naquelas circunst&acirc;ncias e naqueles dias&rdquo;</p>
<p><strong>Sobre o epis&oacute;dio que culminou no t&eacute;rmino do seu casamento com Alda e que gerou dor e tristeza tanto em voc&ecirc; (que se refugiou nos Estados Unidos) como em todos que o admiravam, o que diria hoje ao povo de Deus?</strong><br /> Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Depois de 20 anos de nossa separa&ccedil;&atilde;o, em 1998, ela continua sendo minha grande amiga, o companheiro dela &eacute; meu amigo querido, de sentimento fraterno. A casa dela me acolhe tanto quanto a minha a acolhe. Nossos filhos n&atilde;o veem essa ruptura. A partida de nosso filho Lukas, em 2004, nos uniu t&atilde;o profundamente que come&ccedil;amos a ver a tolice que seria se insist&iacute;ssemos em m&aacute;goas e ressentimentos. Nossa &uacute;nica e mesma fam&iacute;lia continua maravilhosa. Na nossa casa isso &eacute; uma quest&atilde;o que n&atilde;o existe h&aacute; muito tempo, s&oacute; se for no museu da amargura da imagina&ccedil;&atilde;o religiosa. Ent&atilde;o ficou tudo bem pela miseric&oacute;rdia de Deus. Ele foi um cordeirinho de Deus que tirou psicologicamente a mem&oacute;ria e o trauma daquele pecado do nosso mundo.</p>
<p>&ldquo;Bem-aventurados os milhares de pessoas que t&ecirc;m descoberto o que &eacute; o Evangelho, quem &eacute; Jesus e t&ecirc;m descansado nEle, crido na palavra dEle e se convertido &agrave; consci&ecirc;ncia de Deus, e n&atilde;o mais nessas agremia&ccedil;&otilde;es religiosas, denominacionais, esse monte de clube religioso, tudo dentro de seus est&aacute;dios particulares, torcidas organizadas por todos os lados&rdquo;</p>
<p><strong>Voc&ecirc; sempre foi uma forte personalidade no universo crist&atilde;o contempor&acirc;neo, conhecido no Brasil e no exterior. Como construiu isso?</strong><br /> Eu s&oacute; fui eu mesmo. Nunca tive assessoria de marketing para me promover. Me converti em julho de 1973, dois meses depois comecei a pregar o Evangelho, e o resto aconteceu. No ano seguinte ganhei um programa de TV semanal no Amazonas e dali pra frente tudo fluiu. Passei 30 anos da minha vida com uma energia &aacute;vida de servir o povo de Deus. A inten&ccedil;&atilde;o era divulgar o Evangelho com aquela potrice da juventude. Era um modus operandi de Satan&aacute;s com toda pureza de quem busca servir o reino de Deus. Nunca bati em porta de igreja para pregar. Se eu recebia 4 mil convites, aceitava at&eacute; 300 por ano. Vivia viajando. e isso n&atilde;o era saud&aacute;vel. Alguma coisa me dizia que o cobertor era curto, e a cama estava estreita. Tudo o que fiz foi por amor, mas s&oacute; tenho trauma de ter ficado pouco tempo com meus filhos. Quem quiser me imitar vai se frustrar at&eacute; a morte. Aquilo s&oacute; aconteceu comigo porque eu era quem eu era, como eu era, naquela hora, naquele tempo, naquele ano, naquelas circunst&acirc;ncias e naqueles dias. As coisas passam, embora se repitam na sua idiotice.</p>
<p><img decoding="async" style="height: 250px; width: 400px;" src="https://4.bp.blogspot.com/-WJttaxdjJpQ/WxW-3TbIceI/AAAAAAAA6Fo/vdiMgGkI0osICTmMEcf_u8s2jUu5fLQ0wCLcBGAs/s400/Caio-F%25C3%25A1bio1.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Voc&ecirc; viajava por todo o pa&iacute;s, lotando igrejas e audit&oacute;rios e tendo v&aacute;rios CDs com seus serm&otilde;es vendidos. O que fez com todo esse patrim&ocirc;nio?</strong><br /> Eu vendi mais de 6 milh&otilde;es de livros e milhares de DVDs e nunca fiquei com nada. Sempre doei tudo. Praticamente quase tudo o que foi feito no meu minist&eacute;rio, eu ganhava e doava. Eu s&oacute; vivia com o que precisava para viver todo m&ecirc;s, nunca tive poupan&ccedil;a na vida, pois sei quem me sustenta, quem me mant&eacute;m. Quem prega o Evangelho vive do Evangelho. At&eacute; eu partir, n&atilde;o ir&aacute; faltar nada nem para mim nem para minha gera&ccedil;&atilde;o.</p>
<p><strong>Os seus livros &ldquo;Sem Barganhas com Deus&rdquo; e &ldquo;O Privil&eacute;gio de Poder Simplesmente Dizer: T&aacute; Doendo&rdquo; s&atilde;o pautados em sua experi&ecirc;ncia pessoal?</strong><br /> Todos os meus livros t&ecirc;m a ver com a minha experi&ecirc;ncia pessoal. N&atilde;o fa&ccedil;o nada que n&atilde;o passe primeiro por dentro mim, que n&atilde;o tenha sido processado por mim. Sigo existencialmente o que o Salmo diz: &ldquo;Eu cri, por isso &eacute; que escrevi. Eu creio, por isso eu sou e fa&ccedil;o&rdquo;. Nos primeiros sete anos de vida crist&atilde;, minha viv&ecirc;ncia e aprendizado foram com o meu pai, com os seus ensinamentos, mas sempre fazendo minha leitura e percep&ccedil;&atilde;o das coisas espirituais.&nbsp; Noventa e oito por cento das percep&ccedil;&otilde;es mais significativas da minha exist&ecirc;ncia vieram diretamente da B&iacute;blia, especificamente do Novo Testamento. As milhares de coisas que li foram filtradas pelo Evangelho. Se qualquer coisa n&atilde;o passar por isso, se torna um conhecimento, uma informa&ccedil;&atilde;o, mas jamais ser&aacute; uma absor&ccedil;&atilde;o em mim.</p>
<p><strong>Como sua forma&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica na psican&aacute;lise podem ser usadas para ajudar a Igreja a tratar os crentes?</strong><br /> O livro &ldquo;T&aacute; Doendo&rdquo; teve um papel terap&ecirc;utico enorme no meio da d&eacute;cada de 1980 e in&iacute;cio dos anos 90, quando o crente era proibido de ficar doente. Foi uma salva&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca, muitos come&ccedil;aram a ter coragem de dizer que precisavam se tratar. V&aacute;rios outros livros s&atilde;o de natureza b&iacute;blico-psicol&oacute;gico-anal&iacute;tica, com aplicativo do Evangelho como a cura para a doen&ccedil;a de &ldquo;ser&rdquo;, e trazem os desenvolvimentos dessa neurose culposa que praticamente todos os crist&atilde;os sentem. O Evangelho precisa ser antes de tudo uma boa-nova para a alma, para pacifica&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo. Ele precisa ser o p&atilde;o da vida e o saciamento espiritual do nosso ser. Eu n&atilde;o conhe&ccedil;o o Evangelho que n&atilde;o comece sendo uma liberta&ccedil;&atilde;o para a mente, com cora&ccedil;&atilde;o e pacifica&ccedil;&atilde;o para o ser, liberta&ccedil;&atilde;o do medo da morte, do medo de viver, existir, pecar. Emo&ccedil;&otilde;es, sentimentos, sensa&ccedil;&otilde;es, todo mundo tem. Por&eacute;m, se voc&ecirc; tem essa paz que decorre do fato de sabermos que em Cristo na cruz tudo foi pago e os seus pecados est&atilde;o perdoados, ent&atilde;o tudo vira brisa. Quando fazemos isso, vivemos por amor, por prazer, obedecemos com alegria e ainda sem medo, sem culpa, assim como disse Paulo: somos constrangidos pelo amor de Cristo. Depois que voc&ecirc; entende isso, n&atilde;o consegue retroagir nunca mais.</p>
<p><img decoding="async" style="height: 250px; width: 400px;" src="https://3.bp.blogspot.com/-_ZMlC_6Dc14/WxW-3WkBi0I/AAAAAAAA6Fs/SGp7rxLHGIEfd3TzPWCwMam3Lk4LXBVoQCLcBGAs/s400/caiofabio2.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Trata-se de um movimento crist&atilde;o formado em sua maioria por &ldquo;desigrejados&rdquo;?</strong><br /> A segunda maior denomina&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica no Brasil hoje &eacute; dos que deixaram de frequentar as igrejas e se confessam crist&atilde;os de origem evang&eacute;lica, mas n&atilde;o conseguem frequent&aacute;-las, porque 95% delas se desviaram do Evangelho com as barganhas, com o neopentecostalismo. Isso foi denunciado por mim a partir dos anos 90. A profecia revelada a mim nos anos 2000 est&aacute; se cumprindo com o portal dos invis&iacute;veis, ou seja, s&atilde;o milhares de pessoas doentes espiritualmente, que fizeram permutas com Deus e est&atilde;o esperando por milagres. S&atilde;o as doen&ccedil;as das barganhas, os que ficaram nas campanhas, nas filas, esperando os milagres, se dessem dinheiro, se fizeram permutas com Deus e se esbaga&ccedil;aram. Eu tenho ajudado essas pessoas atrav&eacute;s da internet. E bem-aventurados s&atilde;o os que enxergarem e amarem mais o Evangelho do que os olhos apodrecidos das formas religiosas.</p>
<p><strong>H&aacute; quem diga que voc&ecirc; passou por tr&ecirc;s fases na vida: pregador crist&atilde;o not&aacute;vel, servo arrependido e atualmente l&iacute;der alternativo. Isso procede?</strong><br /> Isso &eacute; coisa antiga, de gente preconceituosa. Para os filhos de quem &eacute; dessa gera&ccedil;&atilde;o, eu n&atilde;o sou nada disso. Por exemplo, eu encontro com a nova gera&ccedil;&atilde;o e eles me apresentam como o &ldquo;meu youtuber favorito&rdquo;. Eu continuo pregando o Evangelho, o resto &eacute; uma tentativa de me colocar em gaiolinhas de ouro, na qual eu n&atilde;o caio, porque sou livre em Cristo. Nunca antes fui melhor do que hoje. No ano que vem estarei melhor que neste ano e morrerei melhor do que quando comecei, porque o Evangelho cresce dentro de mim. Quando digo melhor, estou falando de compreens&atilde;o, paci&ecirc;ncia, assimila&ccedil;&atilde;o, toler&acirc;ncia, miseric&oacute;rdia e esperan&ccedil;a. S&atilde;o nesses n&iacute;veis que podemos melhorar, o resto &eacute; performance.</p>
<p><strong>Considera-se um pregador e l&iacute;der que vai al&eacute;m dos limites denominacionais?</strong><br /> Eu passei dessa fase, virou um conceito da d&eacute;cada de 80. N&oacute;s estamos na internet, onde todo mundo entra em todo lugar, na casa de todo mundo, e ningu&eacute;m pode controlar. &Eacute; uma loucura imaginar que isso ainda pode acontecer. Bem-aventurados os milhares de pessoas que t&ecirc;m descoberto o que &eacute; o Evangelho, quem &eacute; Jesus, e t&ecirc;m descansado nEle, crido na palavra dEle e se convertido &agrave; consci&ecirc;ncia de Deus. E n&atilde;o mais nessas agremia&ccedil;&otilde;es religiosas, denominacionais, esse monte de clube religioso, tudo dentro de seus est&aacute;dios particulares, torcidas organizadas por todos os lados. Isso vai acabar e ainda ter&aacute; prazo de validade para gente muito ignorante, mas as pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es ir&atilde;o atropelar, e os religiosos ainda n&atilde;o perceberam.</p>
<p><img decoding="async" style="height: 250px; width: 400px;" src="https://2.bp.blogspot.com/-mHJCh8VA2ls/WxW-8WJ7adI/AAAAAAAA6Fw/wLQsFLjjeSoeF_C3M4U18X6pXQXv8ZDaQCLcBGAs/s400/caiofabio3.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Voc&ecirc; &eacute; &ldquo;o cara&rdquo; que foi super-respeitado no passado, o crist&atilde;o intelectual que vai deixar coisas pra se pensar no futuro, mas n&atilde;o &eacute; &ldquo;o cara&rdquo; para lidar com a Igreja de hoje?</strong><br /> A Igreja de hoje lida comigo todo dia, est&aacute; sendo pastoreada por mim, e a do futuro tamb&eacute;m. Mas a Igreja de ontem n&atilde;o me aguenta, porque o futuro chegou, e eles n&atilde;o viram. N&oacute;s viajamos em dire&ccedil;&atilde;o ao futuro, que est&aacute; nas m&atilde;os do Senhor, mas estou servindo hoje, vendo coisas que muitos ainda n&atilde;o enxergam. Muitos passaram a enxergar e outros que ser&atilde;o ajudados a viver na pr&oacute;xima gera&ccedil;&atilde;o e tantas outras quantas o mesmo Evangelho nelas tiverem aplica&ccedil;&atilde;o.</p>
<p><strong>Com minist&eacute;rio evangel&iacute;stico e orat&oacute;ria at&eacute; erudita, voc&ecirc; foi amado por pentecostais e tradicionais, considerado um porta-voz da Igreja brasileira. Ainda sente-se aceito por esses dois segmentos crist&atilde;os? Por que cr&iacute;ticas t&atilde;o duras ao neopentecostalismo?</strong><br /> Eu bato nos neopentecostais h&aacute; pelo menos 30 anos, porque esse movimento &eacute; um hosp&iacute;cio, se transformou numa delegacia que lida com bandidos praticamente todo dia. As Igrejas hist&oacute;ricas n&atilde;o fazem as coisas que as neopentecostais fazem, mas s&atilde;o delegacias de pol&iacute;cia como boa parte das lideran&ccedil;as pentecostais s&atilde;o e praticam. As institui&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas reformadas s&atilde;o imperme&aacute;veis, comunidades sem choros, sem compaix&atilde;o, s&oacute; doutrin&aacute;rias cultuando Calvino. E esse movimento est&aacute; crescendo at&eacute; mesmo no puritanismo. Alguns irm&atilde;os dessas igrejas s&atilde;o pessoas queridas, mas que foram todas castradas e podadas e ficaram ali como bonsais, est&atilde;o longe de expressar os seus frutos maiores e mais plenos. Quem aceitou a poda na raiz que a religi&atilde;o fez ou o medo que a persegui&ccedil;&atilde;o religiosa causou se atrofiou.</p>
<p><strong>Caio F&aacute;bio possui v&aacute;rios admiradores, por&eacute;m alguns preferem filtrar o que prega. A que atribui isso?</strong><br /> Eles s&oacute; ir&atilde;o repetir 5% do que eu ensino, n&atilde;o vai passar disso. Se disserem que ouviram uma mensagem do Caio F&aacute;bio no YouTube e a pessoa for l&aacute; ver qual &eacute; a fonte e pular de cabe&ccedil;a, ela n&atilde;o volta como a maioria. A menos que o l&iacute;der seja muito seguro de si. Tem que ver aquele grupo n&atilde;o como o ganha-p&atilde;o dele. Quem vem fazendo isso vem crescendo numa harmonia de paz e ordem com seus grupos. Quem &eacute; inseguro e fica com medo de que o ensino total e pleno, sem filtragem, possa diminuir a arrecada&ccedil;&atilde;o dele, a for&ccedil;a e o poder vai sempre dizer: &ldquo;Que coisa boa! Essa parte eu n&atilde;o encontro l&aacute;&rdquo;. Al&eacute;m disso, podem pensar: &ldquo;Esse ensino &eacute; muito forte, &eacute; uma compreens&atilde;o que n&atilde;o sei se todos t&ecirc;m&rdquo; ou &ldquo;Se eu deixar todos aproveitarem, pode ser que algu&eacute;m se escandalize e eu perca o meu lugar&rdquo;.</p>
<p>&ldquo;Bem-aventurados os milhares de pessoas que t&ecirc;m descoberto o que &eacute; o Evangelho, quem &eacute; Jesus e t&ecirc;m descansado nEle, crido na palavra dEle e se convertido a consci&ecirc;ncia de Deus, e n&atilde;o mais nessas agremia&ccedil;&otilde;es religiosas, denominacionais, esse monte de clube religioso, tudo dentro de seus est&aacute;dios particulares, torcidas organizadas por todos os lados&rdquo;</p>
<p><strong>Lucidez e pol&ecirc;mica sempre foram caracter&iacute;sticas suas. O Caio F&aacute;bio que ressurgiu alegrou a muitos e causou espanto e perplexidade em outros. Hoje, cr&iacute;tico da Igreja evang&eacute;lica, diz o que pensa e atira em todas as dire&ccedil;&otilde;es, at&eacute; mesmo&nbsp; usando termos pesados para defender seus conceitos?</strong><br /> Quando eu brinco na TV dizendo por exemplo &ldquo;Deixa de ser babaca&rdquo; ou qualquer outra coisa, eu digo de maneira absolutamente pedag&oacute;gica, pois &eacute; a linguagem que a mo&ccedil;ada entende. Meu portugu&ecirc;s &eacute; dotado de um recurso maravilhoso que &eacute; usado em plenitude para quem convive comigo o dia inteiro. A maioria das pessoas que me assistem na TV tem entre 15 e 38 anos de idade. Elas me entendem, se convertem e acabam discernindo que n&atilde;o tem nenhuma energia de palavr&atilde;o. O que quero dizer &eacute; que isso tudo &eacute; burrice antropol&oacute;gica, porque a palavra muda, &eacute; din&acirc;mica. Por exemplo, &ldquo;sacanagem&rdquo; deixou de ser palavr&atilde;o hoje, porque a l&iacute;ngua mudou, e tornou-se uma brincadeira. N&atilde;o quero agradar a fariseu. Eu nasci pedindo a Deus para ser &ldquo;Jesus&rdquo;, um &ldquo;Cristozinho&rdquo; e tentando provocar &ldquo;Jesuses&rdquo; na minha gera&ccedil;&atilde;o. Eu quero ser um Jesus todo dia mais &ldquo;ajejuizado&rdquo;, crescendo em cristifica&ccedil;&atilde;o. Jesus foi julgado de maneira horrorosa, chamado de dem&ocirc;nio, suicida, louco, desvairado, impostor, amigo de pecadores no sentido pejorativo. Isso est&aacute; relatado no Novo Testamento, ent&atilde;o &eacute; uma titula&ccedil;&atilde;o que me glorifica, porque sei para que vim.</p>
<p><strong>O rei Davi, da B&iacute;blia, &eacute; considerado um homem segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Deus mesmo tendo pecado gravemente. Sente-se identificado com a hist&oacute;ria dele?</strong><br /> Eu sou identificado com a hist&oacute;ria de Jesus. Davi &eacute; meu irm&atilde;o, um companheiro, um&nbsp; colega; a diferen&ccedil;a &eacute; que ele est&aacute; na B&iacute;blia. Mas houve milh&otilde;es que viveram vidas muito mais &iacute;ntimas, l&uacute;cidas e pr&oacute;ximas de Deus do que Davi. Ele &eacute; s&oacute; um fen&ocirc;meno sem&iacute;tico, da hist&oacute;ria de Israel. Ser um homem segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Deus &eacute; andar com uma boa consci&ecirc;ncia perante Deus, diante do pr&oacute;ximo, buscando viver o Evangelho com simplicidade honesta e sincera, em todas as rela&ccedil;&otilde;es, amando a Deus e ao pr&oacute;ximo. E tem que fazer parte dessa santa corja que levanta e anda, desse povo do cora&ccedil;&atilde;o furado pela cruz.</p>
<p><strong>Como escritor de &ecirc;xito e l&iacute;der que dirigiu v&aacute;rios congressos com &ecirc;nfase na &eacute;tica ministerial, na espiritualidade, na integridade crist&atilde;, como foi enfrentar cr&iacute;ticas e julgamento ao romper com o minist&eacute;rio da Igreja Presbiteriana do Brasil?</strong><br /> Foram tr&ecirc;s d&eacute;cadas intensas liderando o processo e lutando contra aquela hipocrisia pastoral. De certa forma, eu estava preparado para dizer o que eu quis, romper como fiz, porque estava convicto de que aquelas pessoas n&atilde;o queriam o Evangelho. Ao contr&aacute;rio, muitas delas amariam me ver pelas costas. Eu era um problema e incomodava. Minha honestidade e dignidade ministerial esmagavam e amarguravam muitas pessoas, que se sentiam publicamente tolhidas em raz&atilde;o de que eu existia com aquele poder enorme, com abrang&ecirc;ncia. N&atilde;o foi o modo certo de fazer, mas ficar livre daquilo foi a melhor coisa que fiz. N&atilde;o aguentava mais o casamento com a Igreja evang&eacute;lica institucional. Era insuport&aacute;vel para mim. Muita burrice, m&aacute; inten&ccedil;&atilde;o, hipocrisia, falsidade, fraternidade administrada e controlada, falta de transpar&ecirc;ncia e de humanidade. As &ldquo;lideran&ccedil;as&rdquo; n&atilde;o queriam o Evangelho em Cristo. Eu n&atilde;o aguentava mais ser c&uacute;mplice disso. Que os loucos todos me apedrejem, mas isso n&atilde;o &eacute; Igreja, &eacute; um hosp&iacute;cio. A dire&ccedil;&atilde;o &eacute; ladra, mentirosa, corrupta e ainda explora os outros. Eu n&atilde;o me arrependo disso. Eu tenho uma m&eacute;dia semanal de tr&ecirc;s milh&otilde;es de pessoas que visitam o meu mural pelas redes sociais, mas muitos n&atilde;o curtem porque tem medo de serem vistos. S&atilde;o pessoas que contam hist&oacute;rias de supera&ccedil;&atilde;o e de liberta&ccedil;&atilde;o e que me pedem ajuda. &Eacute; imposs&iacute;vel conter o que Deus est&aacute; fazendo. Aos 64 anos, sinto que o meu minist&eacute;rio hoje &eacute; profundo, pr&oacute;prio, pertinente mais do que nunca, adequado a este tempo, a esta hora, a esta gente, &agrave;s quest&otilde;es de agora.</p>
<p><img decoding="async" style="height: 250px; width: 400px;" src="https://2.bp.blogspot.com/-nytuJIhjebo/WxW-3SfsY_I/AAAAAAAA6Fk/cJcTEG3Fq8EVJs0rTwgjPdDdIIwjRyZawCLcBGAs/s400/caiofabio4.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>O Antigo Testamento est&aacute; invalidado?</strong><br /> O Antigo Testamento d&aacute; testemunho de Jesus, mas ficou obsoleto, e quem disse isso foi Jesus. A maior parte das cartas de Paulo foi mostrando a obsolesc&ecirc;ncia do Velho Testamento. Romanos &eacute; um libelo acerca da obsolesc&ecirc;ncia e como todas aquelas celebra&ccedil;&otilde;es, ritos e aparatos n&atilde;o tinham nenhum significado, assim como a pr&oacute;pria circuncis&atilde;o, porque o Evangelho ensinava que esse ato era pelo cora&ccedil;&atilde;o, e o perd&atilde;o dos pecados era feito pela f&eacute; em Cristo Jesus, e n&atilde;o por expia&ccedil;&atilde;o de sangue. Os livros de G&aacute;latas e Colossenses falam da obsolesc&ecirc;ncia dos cultos do juda&iacute;smo, dos ensinos ultrapassados, mas tratam tamb&eacute;m das tentativas de moderniza&ccedil;&atilde;o da f&eacute; atrav&eacute;s de filosofias esot&eacute;ricas de crist&atilde;os da &Aacute;sia menor que ficavam fazendo adapta&ccedil;&atilde;o de Jesus para seitas e grupos. Outras coisas, como o perd&atilde;o de pecados por sacrif&iacute;cio no templo, tamb&eacute;m acabaram, pois Deus &eacute; adorado em esp&iacute;rito e em verdade. Depois que o Cordeiro de Deus veio, tudo isso acabou. A lei de Mois&eacute;s dos Dez Mandamentos &eacute; santa, boa e justa. S&atilde;o valores que n&atilde;o v&atilde;o passar jamais e n&atilde;o podemos transgredi-los. Mas o que Evangelho faz &eacute; dizer que ningu&eacute;m &eacute; salvo pela obedi&ecirc;ncia a esses mandamentos, e sim pela f&eacute; na certeza do que Jesus fez por voc&ecirc;.</p>
<p><strong>As denomina&ccedil;&otilde;es religiosas foram engolidas pelo sistema mercadol&oacute;gico?</strong><br /> Sim, e quem inaugurou a era de den&uacute;ncias no Brasil com documenta&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica sobre isso fui eu. Foram 35 anos denunciando o mercado gospel, mercantiliza&ccedil;&atilde;o, quanto custavam aqueles cach&ecirc;s horrorosos, e ainda custam, de &ldquo;m&uacute;sicos crist&atilde;os&rdquo; cobrando uma fortuna para louvar o Senhor. Eu apanhei de todo lado quando comecei a falar disso, mas nunca parei. Dou gra&ccedil;as a Deus por ver hoje uma nova gera&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sicos come&ccedil;ando a surgir com qualidade musical fora daquele sistema e que se apresenta no meio crist&atilde;o com liberdade, assim como eu prego livremente.</p>
<p>&ldquo;Eu n&atilde;o aguentava mais o casamento com a Igreja evang&eacute;lica institucional. Era insuport&aacute;vel para mim. Muita burrice, m&aacute; inten&ccedil;&atilde;o, hipocrisia, falsidade, fraternidade administrada e controlada, falta de transpar&ecirc;ncia, de humanidade&rdquo;</p>
<p><strong>Voc&ecirc; tem posicionamentos frontais contra as denomina&ccedil;&otilde;es como Bola de Neve e Igreja Universal? Por qu&ecirc;?</strong><br /> Eu concordo com o que &eacute; ensinado na Igreja Bola de Neve no que diz respeito &agrave; centralidade de Jesus. &Eacute; uma comunidade que se veste contemporaneamente, mas tem modos extremamente antigos e um olhar muito conservador, estreito. Na Igreja Universal, o que existe &eacute; o Edir Macedo, que &eacute; um dos maiores corruptores do Evangelho no mundo. Tem gente ali que se converte. Quem encontra o Evangelho vai saindo da barganha, porque ela s&oacute; sobrevive do Deus da troca, do dinheiro, do medo e do culto ao poder.</p>
<p><strong>O que pensa sobre a necessidade de ordena&ccedil;&atilde;o de pastores? Voc&ecirc; foi ordenado aos 22 anos pastor presbiteriano, acha que foi precipita&ccedil;&atilde;o da Igreja?</strong><br /> A Igreja Presbiteriana me ordenou sem que eu aceitasse ir para o semin&aacute;rio porque eu honrava o Evangelho. E fui uma das grandes alegrias da institui&ccedil;&atilde;o, talvez a maior durante 25 anos, porque eu n&atilde;o honrava a Igreja, e sim o Evangelho. Existem casos em que &eacute; simbolicamente importante e necess&aacute;rio que se ordene algu&eacute;m. Mas existem outros em que ordena&ccedil;&atilde;o &eacute; uma ora&ccedil;&atilde;o quando a pessoa, que tem o cora&ccedil;&atilde;o de pai, &eacute; um mentor e j&aacute; desenvolve um trabalho de orienta&ccedil;&atilde;o espiritual. Quem j&aacute; est&aacute; fazendo o que faz, e com gra&ccedil;a e abund&acirc;ncia de dom no Esp&iacute;rito Santo, j&aacute; est&aacute; ordenado por Deus.</p>
<p><strong>Atualmente voc&ecirc; lidera o movimento &ldquo;Caminho da Gra&ccedil;a&rdquo;. &Eacute; uma igreja emergente ou alternativa? A mensagem &eacute; diferente?</strong><br /> N&atilde;o &eacute; nenhuma das coisas. A mensagem &eacute; a mesma: o Evangelho. Eu quero ser t&atilde;o somente um divulgador dessa Boa-Nova segundo Jesus. Assim deve ser com qualquer um, de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s somos divulgadores de Jesus. A Igreja tem que ser sal da terra e luz do mundo. O que passar disso vem do &ldquo;sumo-babaca&rdquo; chamado diabo, que adora ficar divertindo a cabe&ccedil;a das pessoas com nomenclaturas, discutindo palavras sem ver o esp&iacute;rito, a vida, o sentido real das coisas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>  ]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>CONSTANTINO NA CONSTITUINTE. (1988) &#8211; Jornal do Brasil &#8211; Caio Fábio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[y]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2016 10:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Histórias]]></category>
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					<description><![CDATA[CONSTANTINO NA CONSTITUINTE. (1988) Artigo de Caio F&#225;bio. Jornal do Brasil &#8211; 14/08/1988 Documento da Biblioteca Digital do Senado Federal. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[ <p><img decoding="async" style="height: 416px; width: 445px;" src="https://4.bp.blogspot.com/-qSN86oRsiy0/WCG_z_H9o8I/AAAAAAAAqTE/PzEXuOYNApIOTWA8TUMTwALj3NxfEIU_QCLcB/s1600/constantino%2Bna%2Bconstituinte%2B-%2Bcaio%2Bf%25C3%25A1bio.jpg" alt="" /><br /> <br /> CONSTANTINO NA CONSTITUINTE. (1988)<br /> Artigo de Caio F&aacute;bio. Jornal do Brasil &#8211; 14/08/1988<br /> Documento da Biblioteca Digital do Senado Federal. &#8211; <a href="http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/105991">http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/105991</a></p>
<p>&#8220;No Brasil, n&oacute;s, evang&eacute;licos, temos vivido presentemente um momento de deslumbramento constantiniano.<br /> Quando digo n&oacute;s estou me incluindo, sofrida e dolorosamente, entre um povo ao qual amo e do qual fa&ccedil;o parte, mas que tem estado do lado errado da hist&oacute;ria nos &uacute;ltimos anos, atrav&eacute;s do posicionamento equivocado de alguns daqueles que o t&ecirc;m representado&#8221;.</p>
<p>Baixe o PDF para ler o artigo completo: <a href="http://bit.ly/CaioFabio_ConstantinoNaConstituinte">http://bit.ly/CaioFabio_ConstantinoNaConstituinte</a></p>
<p>Ou exiba o PDF no navegador: <a href="http://bit.ly/ConstantinoNaConstituinte_CaioF&aacute;bio_Web">http://bit.ly/ConstantinoNaConstituinte_CaioF&aacute;bio_Web</a></p>  ]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>LIVRO A BÍBLIA E O IMPEACHMENT. – CAIO FÁBIO &#124; Versão revisada. 2016</title>
		<link>https://caiofabio.com.br/livro-a-biblia-e-o-impeachment-caio-fabio-versao-revisada-2016/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[y]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Mar 2016 20:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[Acabamos de lançar e disponibilizar para download gratuito a versão revisada do livro “A Bíblia e o Impeachment”, do Rev. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[ <img decoding="async" src="http://caiofabio.net/Imagens/a_biblia_e_o_impeachment.png"><font size="2"><p><br>Acabamos de lançar e disponibilizar para download gratuito a versão revisada do livro <strong>“A Bíblia e o Impeachment”, do Rev. Caio Fábio.</strong> Se você é um cidadão brasileiro, discípulo de Jesus, e deseja ter luz e fundamento espiritual para exercer o seu papel nos dias atuais, esta se torna uma leitura indispensável! Informe aos amigos, compartilhe!<br />
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Link para Download:  <a href="http://caiofabio.net/download/A_Biblia_e_o_Impeachment_Caio_Fabio.pdf">http://caiofabio.net/download/A_Biblia_e_o_Impeachment_Caio_Fabio.pdf</a><br />
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<strong>PREFÁCIO DO LIVRO:</strong></p>

<p>O livro do pastor Caio Fábio, <em>A Bíblia e o Impeachment</em>, continua tão pertinente hoje quanto o fora há quase duas décadas e meia, seja porque o país está em clima de um outro impeachment, seja porque quem ao qual o livro se destinou no início da década de 90 permanecer sendo ainda destinatário do mesmo: a igreja evangélica.</p>

<p>Falar em igreja evangélica (igreja como instituição, claro) nos dias de hoje não é exatamente a mesma coisa de há duas décadas e meia. Nos idos do início dos anos 80, a igreja ainda era uma recém-saída dos negros anos da ditadura militar. Nesse período, a igreja foi silente. Com raríssimas exceções, uma ou outra voz evangélica se erguera contra o regime de exceção. A igreja era apenas um componente social discreto, avesso à política, longe dos embates que diziam respeito à nação e nutria, até, uma certa simpatia com o autoritarismo por conta de sua “filosofia da ordem”. Em suma, o regime militar não perturbava e ela não perturbava o regime militar.</p>

<p>Quando ocorre a redemocratização do país, a igreja começa a sair da toca e percebe que tem que se colocar no mundo. Inicia-se então a propagação de um mote que grassou o meio evangélico na segunda metade da década de 80, que era o “irmão vota em irmão”. Sendo um ambiente estranho ao pensamento crítico e à politização da vida, a igreja estava desguarnecida de formulações intelectuais/espirituais para discutir esse pressuposto, especialmente os meios pentecostais que, à época, estava em outra dimensão com Paul (hoje David) Young Cho. Pouquíssimas vozes, advindas sempre das igrejas históricas, eram os ‘hereges’ que se metiam nesse tipo de assunto.</p>

<p>Na virada década, com as eleições para presidente, a igreja já estava no páreo político, mas ainda carente das já referidas formulações. Mas àquela altura os líderes evangélicos já tinham percebido a força eleitoreira do rebanho, especialmente depois das eleições de 88. Em 92, essa igreja, quase que maciçamente, ajudou a eleger Collor de Mello presidente. Quando este se viu em apuros, em meio a escândalos vindos a público por denúncias do próprio irmão, e foi submetido a um processo de impeachment, essa igreja política e biblicamente desguarnecida entrou em parafuso. O crente deveria ou não apoiar o impeachment? E Romanos 13, como fica? Ora, uma igreja que foi ordeira e cordeira nos anos de ditadura havia sido doutrinada o suficiente para sê-lo num regime democrático. O golpe de 64 foi mais fácil porque, além do combate ao comunismo como pretexto, não fora a igreja quem sujara as mãos. Na democracia, não. Na democracia ela não teve como se esconder.</p>

<p>Nesse vácuo, surge <em>A Bíblia e o Impeachment, </em>livro que o reverendo Caio Fábio escreveu às pressas (seis dias), em quartos de hotel, para dar uma resposta ao dilema e uma fundamentação bíblica da questão.</p>

<p>Quase duas décadas e meia depois, o livro continua pertinente, primeiro, pelo momento político do país (em que uma presidente se vê envolvida em novos escândalos de corrupção, politicamente fragilizada, moralmente combalida e executivamente desorientada) e, segundo, pelo mesmo destinatário que, em muitos aspectos, já não é mais o mesmo. A igreja, antes no quase anonimato, tem hoje protagonismo de sobra. Ela se emaranhou ao poder, tem uma bancada no Congresso (o ainda presidente da câmara, Eduardo Cunha, é evangélico), é detentora de cadeias de comunicação, esbanja poder econômico e já demonstrou ter grande simpatia por um Estado teocrático. Sua pertinência persiste, ainda que as questões não sejam mais as mesmas de vinte e poucos anos atrás.</p>

<p>Depois de pequenas revisões, que tivemos o cuidado de manter seu escopo, <em>A Bíblia e o Impeachment </em>continua a ser leitura imprescindível para os dias de hoje, para a hora de agora.</p>

<p>Boa leitura!</p>

<p> </p>

<p>Dilson Cunha</p>

<p>Março de 2016</p>
   ]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>VOCÊ CANSOU DA BONDADE?&#8230;</title>
		<link>https://caiofabio.com.br/voce-cansou-da-bondade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[y]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jan 2016 10:36:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Devocionais]]></category>
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					<description><![CDATA[VOC&#202; CANSOU DA BONDADE?&#8230; &#160; N&#243;s, humanos, temos enorme facilidade de mudarmos para o mal; est&#225; na nossa natureza ca&#237;da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[ <div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><br /> </div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;"><strong><span style="color: #c00000;">VOC&Ecirc; CANSOU DA BONDADE?&#8230;</span></strong></div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">N&oacute;s, humanos, temos enorme facilidade de mudarmos para o mal; est&aacute; na nossa natureza ca&iacute;da esta tend&ecirc;ncia; e, entregues a n&oacute;s mesmos, &eacute; da nossa perversa natureza a inclina&ccedil;&atilde;o mutante para o que n&atilde;o seja aquilo para o que fomos criados.</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Dif&iacute;cil mesmo &eacute; mudarmos dia a dia para o melhor de n&oacute;s; para a semelhan&ccedil;a de Deus; para o amor, a alegria, a paz, a bondade, a longanimidade, a mansid&atilde;o e o dom&iacute;nio pr&oacute;prio.</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;"><em>Entretanto, mudarmos na dire&ccedil;&atilde;o do que seja bom &eacute; como subir uma ladeira, &eacute; como entrar pela porta muito estreita, &eacute; como escolher o caminho que poucos escolhem percorrer, &eacute; como nadar contra o fluxo das correntezas, &eacute; como a vereda aqu&aacute;tica do salm&atilde;o buscando morrer no lugar onde aconteceu a sua origem&#8230;</em></div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">A maior evidencia dessa capacidade natural de piorar a gente se observa nas crian&ccedil;as. Sim, lindas, santas, puras, espont&acirc;neas, livres, abertas, perdoadoras, e tudo de bom; mas que, logo, logo, pelas influencias recebidas, n&atilde;o demoram a aprender aquilo que lhes d&ecirc;s-configurar&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao que um dia tiveram como divina beleza natural.</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;"><em>Outra grande evidencia &eacute; a mudan&ccedil;a negativa do santo</em>; sim, daquele que conhecemos humilde, simples, ensin&aacute;vel, feliz na f&eacute;, amante dos pequenos, paciente, temente a Deus, puro de cora&ccedil;&atilde;o, limpo de lasc&iacute;vias, receoso de magoar, de humilhar, de falar mal, de gritar de raiva, de irar-se, de se tornar deveras exigente, de nunca esquecer a gratid&atilde;o; sim, sempre olhando para tr&aacute;s e vendo o que recebeu de gra&ccedil;a, o que lhe veio como d&aacute;diva, o que n&atilde;o lhe era natural, mas que nele foi enxertado, aplicado e inserido contra a sua pr&oacute;pria natureza &mdash;; <strong>mas que</strong>, <u>com o tempo</u>, com o h&aacute;bito ao sublime, ou com alguns servi&ccedil;os prestados [supostamente a Deus, &agrave; causa, ou ao pr&oacute;ximo], <em>come&ccedil;a a sentir-se dono de si mesmo</em>, da sua natureza, dos seus direitos; lentamente tornando-se patr&atilde;o da vida, exigente, impaciente, descontrolado, arrogante, sem pequenas compaix&otilde;es [&agrave;s vezes mantendo apenas as grandes compaix&otilde;es], por&eacute;m, sem cuidado no trato geral; e, desse modo, arrumando concess&otilde;es para si mesmo; praticando auto-indulg&ecirc;ncias antes inconceb&iacute;veis; e, sem que o note, bem gradualmente, vai se desfigurando [&#8230;], como disse, sem que isto lhe seja percept&iacute;vel; sim, sem que sua feiura lhe seja revelada; especialmente se um dia a vida com Deus foi muito real, o que, paradoxalmente, agora, lhe serve de &aacute;libi para ser contra o que foi chamado a manifestar no ser.</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Jesus disse que o sentimento de <em>demora</em> acerca da Vinda do Filho do Homem geraria essas muta&ccedil;&otilde;es em muitos; todavia, deve-se interpretar esse sentir de <em>demora</em> tamb&eacute;m como o passar do tempo da vida da gente na f&eacute;, ou como a n&atilde;o realiza&ccedil;&atilde;o do bem por n&oacute;s crido, ou tamb&eacute;m como cansa&ccedil;o em rela&ccedil;&atilde;o ao trabalho do amor [&#8230;], que &eacute; como o de enxugar gelo, sem recompensas e sem f&eacute;rias; ou ainda: como a exaust&atilde;o de si mesmo, quando as din&acirc;micas da renova&ccedil;&atilde;o do amor n&atilde;o aconteceram em n&oacute;s pelo habito ao sublime, ou pelo autoengano de que j&aacute; se alcan&ccedil;ou demais ou bastante no entendimento do Evangelho.</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;"><em>Da&iacute; a advert&ecirc;ncia de Paulo quanto a n&atilde;o nos cansarmos de fazer o bem a todos os homens!</em></div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Sim; o que nos salva de tal processo [o qual &eacute; inevit&aacute;vel que a todos os santos acometa de um modo ou de outro, uma hora ou outra, numa ou noutra esta&ccedil;&atilde;o da vida], <u>&eacute; o desafio n&atilde;o seletivo</u> de que se deva fazer o bem <em>sempre e a todos</em> os homens.</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Do contr&aacute;rio, elegemos ocasi&otilde;es, pessoas e circunst&acirc;ncias para as express&otilde;es das nossas bondades, e, quanto aos demais, ficamos indiferentes, ou, em alguns casos, especialmente ante aos chatos, descuidados, cronicamente trope&ccedil;antes, ou quanto &agrave;queles que nos perturbam [&#8230;] &mdash; deixamos de ser aquilo que, para os nossos eleitos, n&oacute;s somos, ou, pelo menos, buscamos ser&#8230;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Eu creio no que digo, tanto quanto sei o que digo; pois, em mim mesmo, provei tais sutilezas!</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Durante mais de vinte anos meu cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o vacilou na bondade, na paci&ecirc;ncia, na longanimidade, na humildade, no cora&ccedil;&atilde;o sempre quebrantado em rela&ccedil;&atilde;o ao meu pr&oacute;ximo; <em><u>at&eacute; que</u></em> [&#8230;] veio o cansa&ccedil;o; o cansa&ccedil;o do bem sem retorno; a exaust&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; recalcitr&acirc;ncia cr&ocirc;nica; o desanimo quanto ao que o bem poderia produzir de mudan&ccedil;a nos outros; e, assim, bem devagar [&#8230;], sem que eu notasse, fui caindo no amor seletivo, na bondade por elei&ccedil;&atilde;o, na virtude seletiva; e pior: <em>lentamente fui assumindo conceitos mundanos como se fossem os &uacute;nicos modos de lidar com certas pessoas ou situa&ccedil;&otilde;es</em>; at&eacute; que percebi que me havia desconvertido do chamado do amor e da minha voca&ccedil;&atilde;o essencial.</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Ora, a volta ao in&iacute;cio de tudo [&#8230;] acontece pelo reconhecimento desse desvio do ser; o que, sem apela&ccedil;&atilde;o, deve ser seguido pelo exerc&iacute;cio da entrega dos nossos direitos e raz&otilde;es; os quais devem se expressar tamb&eacute;m contra toda e qualquer disposi&ccedil;&atilde;o de provar que se est&aacute; certo; ou de termos pena da nossa solid&atilde;o na busca do bem; e, sobretudo, pela nossa convic&ccedil;&atilde;o contra n&oacute;s mesmos [&#8230;]; a fim de que aconte&ccedil;a o Paulo recomenda: &ldquo;<em>Para que n&atilde;o fa&ccedil;amos o que seja do nosso pr&oacute;prio querer!</em>&rdquo;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;"><strong>Maturidade de entendimento que n&atilde;o se renove pela humildade e pelo quebrantamento no exerc&iacute;cio do bem, apenas gera pessoas seletivamente bondosas; e nos p&otilde;e no caminho liso das virtudes escolhidas e praticadas para pessoas pr&eacute;-selecionadas; o que, sem d&uacute;vida, &eacute; tamb&eacute;m hipocrisia.</strong></div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Em meio a isto tudo [<em>aprendi na pr&aacute;tica com o meu pai; al&eacute;m de ser um principio da Palavra</em>], deve-se <u>ficar quieto</u>; suportar certas coisas em <u>sil&ecirc;ncio</u>; e, se tivermos que tratar delas, buscarmos fazer com toda <u>humildade e mansid&atilde;o</u>; ainda que estejamos esmados de direitos pr&oacute;prios ou adquiridos.</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Entretanto, sei em meu pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o como &eacute; sutil o caminho para tal desvio; e pior: como &eacute; dif&iacute;cil perceb&ecirc;-lo em n&oacute;s uma vez que ele entre em estado de concubinato com as nossas virtudes selecionadas [&#8230;] e com nossos direitos adquiridos pela via do cansa&ccedil;o solit&aacute;rio na pratica do bem.</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Ora, a checagem do nosso cora&ccedil;&atilde;o quanto a tais coisas tem que ser mais que di&aacute;ria; de fato, deve ser caso a caso, o dia inteiro; posto que baste um precedente para que a insuport&aacute;vel leveza desse surto se reinicie em n&oacute;s!</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Portanto, n&atilde;o nos cansemos de fazer o bem a todos os homens; sim, pois somente deste modo a nossa salva&ccedil;&atilde;o se desenvolve em n&oacute;s; nunca esquecendo que tamb&eacute;m &eacute; essencial que n&atilde;o percamos a alegria e a exulta&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a da gloria de Deus como voca&ccedil;&atilde;o da nossa vida; do contr&aacute;rio, as for&ccedil;as do cansa&ccedil;o nos dominam e nos corrompem sem que as sintamos em opera&ccedil;&atilde;o em n&oacute;s.</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;"><strong><em><span style="color: #c00000;">Nele</span></em></strong>, em Quem o caminhar n&atilde;o tem f&eacute;rias, embora deva acontecer em descanso,</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">&nbsp;</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Caio</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">21 de janeiro de 2012</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Lago Norte</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">Bras&iacute;lia</div>
<div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm;">DF</div>  ]]></content:encoded>
					
		
		
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